Então, quando a
ausência dela
Começava já a morder,
Avistei-a, ao longe, da
minha janela.
A minha Alma voltava
E eu bem-aventurada só de
a ver.
No dia em que tiveram
de parar-me o coração
Ela abandonou meu corpo,
equivocada,
Sem uma lágrima chorada
Ou meia palavra de contemplação.
Depois, quando restituíram ao meu coração
Os devidos batimentos,
ela não devolveu emoções e sentimentos
ao lugar que deixara vazio.
Esperei dias a fio,
Uma fala febril de água
e areia, somente.
O corpo macerado de dor e ausência
E um incêndio de lírios
à toa pela mente.
Não sei por onde andou,
minha Alma
Todo esse tempo em que
a senti evadida.
Metade de mim,
indignação
Outra metade, saudade
ofendida.
Enfim, regressava
Na mesma barca em que, por engano, fora levada
A atravessar o Aqueronte
Sem que defronte fosse aguardada.
Lídia Borges
imagem (Pinterest, s/ ind. autoria)
