Depois da viagem, cada dia mais difícil, pelo Mundo, através do mundo da (des)Informação, apenas coisas leves e pequenas florescem à volta do coração.
E quando os meninos da escola
atraídos pela luz inconfundível do outono
vierem procurar folhas secas,
encontrarão palavras.
Umas baloiçando em meios círculos
bêbadas de prazer,
outras tapetes de cores estendidas ao sol
umas vendaval outras brisa, umas lume outras água.
Hão de querer colecioná-las, os meninos.
Hão de querer colá-las em forma de poema
numa página do caderno.
Hão de ficar espantados
quando os pássaros vierem
fazer ninho na folhagem dos poemas
ali plantados.
(Lídia Borges in Baile de Citaras, 2015)
(Imagem: pinterest)
