domingo, 15 de fevereiro de 2026

Precisamente onde tu não estás

 


Saber que não se escreve para o outro

Saber que não para ti escrevo

Saber que o que digo 

Não vai fazer-me mais amada por ti

Saber que a escrita não compensa nada

Não sublima nada

Não cura, não cuida, não salva.

Que ela está aí, precisamente

Onde tu não estás.

Saber tudo isso 

É o verso primeiro 

De todos os meus poemas.


 

Lídia Borges