Saber que não se escreve para o outro
Saber que não para ti escrevo
Saber que o que digo
Não vai fazer-me mais amada por ti
Saber que a escrita não compensa nada
Não sublima nada
Não cura, não cuida, não salva.
Que ela está aí, precisamente
Onde tu não estás.
Saber tudo isso
É o verso primeiro
De todos os meus poemas.
Lídia Borges
