A pereira no
quintal escolheu o dia, hoje,
para se encher
de flor.
Ou terão sido
os meus olhos, hoje,
mais atentos
aos passos da Poesia?
Ela não sabe,
mas encheu-me de alegria,
uma alegria
miudinha e boa
que veio
falar-me de paz.
Sonhar a paz no
aconchego
das coisas da
terra, quantas vezes?
Deslocámos um
grão de areia do deserto,
um caulezinho
na montanha
para mover a
montanha,
para mudar o
deserto.
Eis a Poesia,
essa fé capaz
de fertilizar desertos,
de mover
montanhas
ou simplesmente
de tornar mais
fácil a convivência
com o que nos fere
e atormenta.
Lídia Borges
(21/03/2026)
