sábado, 11 de abril de 2026

Barco de papel


Ilhas desertas, meus olhos,

desconhecidos mares, a banhá-los,

improváveis rosas brancas

no dobrar de cabos invisíveis.

 

Do inaudito, o longe sem-fim.

Na convulsão dos céus, nuvens  

formam-se e deformam-se,

velhas naus galgam  tempestades novas.


Já não sei nada, tão seguramente, como outrora sabia.

Tomara que viesses alisar meu pensamento, 

desatar meus cabelos.

dissipar ventos, aniquilar meus medos. 

Tomara que não fosses barco de papel, apenas.



Lídia Borges

(imagem: Pinterest)