Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
26 comentários:
Cecília de Meireles é uma poeta que eu ouço sempre com grande devoção !
Abraço
_________ JRMARTO
Ótima escolha!
A poesia da C. Meireles sempre me comove!
Linda foto ...tudo a ver com o poema...
Um beijo
Não tem jeito...a desencanto sempre deixa alguma dor. Lindo poema.
beijos
oie lidia,meus sonhos vão assim também perdidos no espaço vazio.estão seguindo algum caminho que eu mesma desconheço!!!
tenha um ótimo domingo!!!
bjus
magna
Amei Cecília Meireles desce que conheci sua poesia, um pouco antes de sua morte. Escrevi então o meu primeiro ensaio - eu era jovem, não sabia bem o que era um ensaio, mas fiz para mim mesmo. Em homenagem à poetisa tão delicada, tão musical e sugestiva.
Pena que não seja valorizada tanto quanto merece, pena que a sua poesia não seja tão conhecida.
Abraços.
Eu acho muito intenso este poema da Cecília, há um sentimento de derrota ao final, de impotência, mas tão bonito, tão suave, que o triste se torna belo.
beijos
Hermosos como intenso tu poema..
Un beso
Un abrazo
Saludos fraternos..
Que disfrutes del fin de semana..
Lídia, lindo este poema, com um sentimento de desesperança, reflectido no espírito, quando até os sonhos se afogam.
Depois tudo igual, a vida segue o seu rumo, a pessoa, é apenas... uma pessoa!
Um beijo, Lídia.
Carlos
É um dos poemas mais lindos de Cecília Meireles
cuja poesia se identifica muito com a tua - a meu ver - sensível, atenta ao que a rodeia, sentindo a alma das coisas... e , depois a imagem! Tudo é perfeito! Não é mesmo teu?
Um beijo.
Graça
...tão bom ler Cecília Meireles
neste calmo domingo por aqui!
beijinhos, querida!
Gosto muito de Cecília Meireles, e deste poema em particular. Boa escolha:)
Beijinho*
A poetisa é uma das melhores da língua portuguesa.
Cumprimentos meus.
I love CM!
Não sei se já disse: gosto mais de Cecília que de Badeira, Drummond, Quintana, os poetas que amo.
Beijos
Coisa boa, ler e reler Cecília... Boa semana, Lídia! Beijo.
Lidia,
Lindos versos
Cecilia sempre foi um fenômeno.
Olha, há um selinho de luz para você em meu Blog, passa lá e pegue-o
bjs
Gosto muito de Cecília Meireles. Um dia (1972)
fizeram um programa de rádio em Angola sobre o meu primeiro livro - Ro(s)tos do Meu País - e compararam-me com ela... Só trinta anos mais tarde conheci o texto desse programa. Fiquei cheio de vaidade, como calcula.
Para si o meu beijinho pela escolha.
João
Fantástico, não, Lídia? É Cecília! :) Bela escolha, boa semana.
Lídia belos versos de Cecília Meireles de quem eu gosto particularmente.
Beijinhos
Carmo
Lindo isso, e a foto faz tudo mais real. parabéns
Que poema forte!!!
Toca quem o lê.
Um abraço e espero sua visita, Lídia!
... uma poeta portuguesíssima, que as suas letras não enganam ninguém.
Continuação de boa semana!
um complemento mais do que directo este poema de Cecília Meireles e o teu que o antecede
um acasalamento perfeito
.
um beijo
Ola! Lindo poema de Cecilia Meireles!
Os sonhos sao possiveis, se acreditarmos e deixarmos eles vividos em nossos pensamentos!
Eles sao alimentos diarios para que a vida siga plena!
E com a direcao que damos a ela, o caminho dos sonhos podem sim ser uma mar tranquilo e totalmente possivel de se viver!!!
Abs,
ale...
Naufraguei completamente nesse belíssimo poema de Cecília Meireles e, tal como ela, já afoguei alguns dos meus sonhos... Mas não o farei mais!
Bjs e obrigado por este belo poema com o qual me identifico completamente.
CR/de
P.S. Bonita foto Lídia pela sua simplicidade. Só tens que endireitá-la um pouquinho para a direita.
*
e os meus olhos,
encheiram-se de mar,
no versejar da Cecilia,
,
conchinhas mareantes,
,
*
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