sábado, 28 de novembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

resposta


O coração suspenso num estertor
trémulo de asas partidas.

Diz-me:
Que sonhos sonhar?
Desprovido de asas,
quem ousa voar?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


A esta aragem fria que me afaga o rosto e me envolve com braços longos e nus, eu agradeço…

Ela sabe conciliar-me com os medos e sossegar-me na desordem indomável dos dias.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Não quero este dia...


Não quero este dia, hoje!

Que luz falaciosa é esta
a ferir-me o olhar?

Um bloco operatório,
Um rosto, ornado de tranças desfeitas
A sorrir-me acostado à loucura
Que lhe brilha nos olhos fundos.

Um sorriso lindo, de criança
Esquecida dos muitos anos vividos:

- Tenho medo…

E o beijo que me deu…
A dançar-me na pele,
A cortar-me a alma
Em pedaços,
Irremediavelmente

domingo, 22 de novembro de 2009

Um pouco de mim


O Pedro Viegas do “1000 CONVERSAS” colocou-me perante uma situação pouco confortável, pois o que me pede é que fale de mim. Logo a mim que sei tão pouco, de mim!


Mas… Vou tentar então, completar as frases:

Eu já tive... a certeza de que podia mover montanhas. ..

Eu nunca... poderei compreender as assimetrias sociais que a irracionalidade dos homens vai alimentando, para gáudio de uns poucos e miséria de tantos outros.

Eu sei... da inutilidade do saber quando alheado da força de um querer determinado.

Eu quero .... acreditar que cada um, pode ser aquilo que deseja ser.

Eu sonho ... tocar o azul do céu.

Esperando que ninguém se zangue, vou encaminhar este questionário para os seguintes espaços, onde o sonho se torna fácil, para mim:

Teatrices/Cante-Chão/ Corpo de Poema/ Delírios Proso-Poéticos/Brancamar/Zambeziana/Casa de Maio/O murmúrio das ondas/Navegando nas palavras/ De Profundis

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E por vezes as noites duram meses


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão Ferreira

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Estrela

Se dos meus olhos
Fluísse só a liquidez mais bela
De um luar de Janeiro,

Se dos meus dedos jorrassem
Gestos de supremo entendimento
E na minha mente,
Os pensamentos brincassem
Como crianças de bibe
Em jardins de alfazema,

Se nos recantos brancos da minha alma,
Das sementes humedecidas,
Nascessem apenas rebentos de perfeição,

Poderia então subir a montanha,
Abordar o azul mais intangível,
E tocar a estrela do meu coração.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mau tempo


O céu, de repente, desabou

Avalanche, tromba de água

A ira divina errou

Pela ruas: rio, lava…

Só quando a acalmia rompeu,

De mansinho a madrugada,

É que o sono adormeceu

Perdido, na minha cama.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Última hora



Tocaram-me à porta!
Fui abrir. Era o Chiquinho!
Entrava-me assim, porta adentro como se nada fosse, pela mão da minha amiga Rosa Maria que me mima como se a flor fosse eu...
Obrigada, ROSA Maria!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Chiquinho


Hoje acordei a pensar no Chiquinho.

Precisava de ver o Chiquinho com urgência. Só tinha dois dias para perceber o que se passava com o Chiquinho. Toda a manhã o Chiquinho me ocupou o pensamento, de uma forma absoluta. Tinha de o encontrar. Precisava de lhe tocar, de sentir nas mãos o seu corpo, ouvir o que tinha para me dizer, perceber-lhe os medos, sentir os seus fantasmas, os seus sonhos e desesperos. Era muito importante para mim… Estava decidido! De hoje, não passaria. Tinha de encontrar o Chiquinho!

Logo depois do almoço, meti-me no trânsito molengão, por causa da chuva miudinha que caía e dirigi-me ali. Ali, por certo encontraria o Chiquinho. Mas não, não estava. Retorno ao trânsito e vou acolá. No acolá também ninguém vira o Chiquinho. Não desarmei !

Talvez além. Corri para o além – “Vá lá Chiquinho, não sejas assim. Preciso tanto de ti!” Mas no além, nem sombra do Chiquinho. Já o coração se me apertava, vendo tão reduzidas as hipóteses de encontrar o Chiquinho.

Numa última tentativa ainda fui lá, mas nem no lá consegui os meus intentos.

Apeteceu-me gritar: - Chiquinho, Chiquinho, por favor não me faças isso… Mas calei-me, entristecida. Para meu desespero, o Chiquinho sumira sem deixar rasto!

Regressei a casa frustrada, com a preocupação a pesar-me nas mãos vazias. O caso não era para menos!

- Do autor cabo-verdiano Baltasar Lopes? Não, não senhora! Ainda não li o “ Chiquinho.” É o que terei de responder de cabeça baixa, na próxima aula, à professora de Literatura Africana.