sábado, 8 de maio de 2010

O vento



O vento foi chegando, devagar.
Pousou a agitação na magnólia,
ainda há pouco, tão sossegada.

Interrompo-me para contemplar
o bailado verde das folhas.

Já nem o livro entre as mãos
me pede para ser lido,
nem eu faço questão de o ler.

O vento entoa desilusões
na sua ancestral sabedoria.
Entristece-me o que diz
do mundo, dos deuses
e dos homens.
Os meus argumentos,
Vão caindo, gastos, no chão
e duvido, por momentos
da existência dos factos,
(Existem… ou simplesmente
não seriam factos
e não estariam, assim
marcados na minha pele).

Peço ao vento que os leve
No vigor das suas asas
Quero morar sozinha,
em mim
despida do pensamento.
Quero ser como esta árvore
que sem pensar e sem sentir
é feliz, neste jardim.

23 comentários:

Anónimo disse...

Como não querer ser assim. E poder escolher o que o vento nos trará.

Muito bonito, moça!

Beijos.

_Sentido!... disse...

Sabias que às vezes também gostaria de ser uma árvore..., assim...?!

Poema lindisso, como há muito nos habituaste!
E Marisa..., muito bem escolhido!

Beijo.

vieira calado disse...

É capaz disso...

As árvores serem felizes.

Bjs

chica disse...

És inspiradísima!Lindo!um beijo,chica

Anónimo disse...

Lídia!
Lindo!

Lúcida no meio da vertigem de nada ser banal desse encontro entendo a tua voz com seus desejos de ser árvore e que a minha ternura seja nuvem ou pássaro ...

Um beijo

Jaime A. disse...

O jardim é a sua beleza e é este jardim, sujeito, que faz este poema soar magnífico.
Parabéns!

aapayés disse...

Siempre aprecio tus poemas.. gracias por este honor que nos haces de leerte

Un abrazo
Con mis
Saludos fraternos de siempre..

Que tengas un bello fin de semana… mis mejores deseos.

Valentina Rosin disse...

Grata pela visita, querida!
Te sigo por aqui. Adorei os poemas que postas!
Bjssss!

angela disse...

Lindo Lidia.
beijos

Luiza Maciel Nogueira disse...

:)

ELILUC disse...

Que tengas un lindo fin de semana.
Un abrazo

Carlos Gonçalves disse...

Quem te disse, querida Lídia, que a árvore não pensa, não tem sentimentos? Tem, minha querida, eu tenho uma árvore no meu quintal, falo com ela, ela entende os meus sentimentos, eu entendo os dela, falamos de amor e dor, esse vento que ouves é a voz que nos abraça. Sente a árvore, ouve o vento, não lhe transmitas angústias, pede-lhe que te fale de paixões, que te fale de amor...
Beijo, Lídia, de muito carinho, em ti.
Carlos

ana p disse...

Um belissimo poema, Lidia...sobre magnólias
Beijo

Cristal de uma mulher disse...

Um belo poema amiga me encantou!
Obrigada por teu carinho e feliz dia das mães e quero que leve para ti um mimo que está em destaque dos dias das mães;...meu beijo amada

lis disse...

Oi Lídia
Bom despir do pensamento, só que difícil.
estou tentando rsrs
e o vento como brisa ou vendaval sempre nos acariciando ou açoitando. Muito bom seu poema, parabéns
abraços

Sonia Schmorantz disse...

Lindas palavras, um encanto de poesia!
Feliz dia das mães.
beijos

Júlio Castellain disse...

...
Que beleza, Lídia.
Abraço.
...

Graça Pereira disse...

Talvez não me importasse de ser uma magnólia batida pelo vento sul...mas com raízes profundas que me tornasse forte e pudesse derramar perfumes nas horas mortas de um jardim...
beijo
Graça

Rosa dos Ventos disse...

Um final muito próximo de Alberto Caeiro...
Lindo o poema!

Abraço

Sílvia disse...

Não gosto do vento, mas pelo menos mostra-nos que ainda tudo está vivo.

Beijo :)

Anónimo disse...

Poesia Linda minha amiga, e que com certeza, ela, a árvore é feliz sim, em seu universo abrigando muitas almas.
Beijos, um abraço.

lupuscanissignatus disse...

enraízar

o

voo


[nas pétalas
do
pensamento]



*bom-fim-de-
semana*

afonso rocha disse...

Obrigado pela tua visita e pela tua "crítica"
Também vim "cuscar" o teu e adorei!!!!
Visita-me no meu novo blogue maluco e ávido de críticas...para continuar a melhorá-lo...para ti e teus amigos.

http://orespirardopensamento.blogspot.com

CUSCAR : Palavra que aprendi com a nossa amiga comum, Delirius, e que adoro.
Dela (Delirius), tb. É uma doçura de pessoa e tb escreve muito bem.
Parabéns por tu poesia e por teres amigos tão "fixes".
Beijo para TI.
afonso rocha