segunda-feira, 26 de julho de 2010


Chegas e eu fico suspensa nos gestos interrompidos.
A tua presença irrompe como nenúfar à superfície de um silêncio liquefeito.
Demora-te. Demora-te, assim…
Faz-me pensar que não é urgente albergar o níveo gelo no espaço vazio entre as minhas mãos.

28 comentários:

AC disse...

Palavras que têm o condão de tocar, de fazer com que fiquemos...

Beijo

A.S. disse...

Lidia,

Como pode haver gelo entre as tuas cálidas mãos?
E fazer parar no meio do silêncio caricias que de despenham?

Um beijO
AL

João A. Quadrado disse...

[e da urgência, se acorda em nós, se faz um espaço: um trampolim cósmico em nó apertado, dentro condensado, e o tempo? o tempo permanece, acontece, como se o corpo tivesse madrugado antes da própria manhã]

um imenso abraço, Amiga Lídia

Leonardo B.

Mari disse...

Lidia...

de tirar o fôlego da gente!
Lindo minha amiga!
Beijo e boa semana!

Anónimo disse...

Gestos que se interrompem, indefesos... perdi cada um deles agora.
Que lindo, poetisa!

Beijos.

Unknown disse...

nenúfar, eu sempre quis usar essa palavra em um poema e niveo gelo então, imagens ricas

abraço

angela disse...

O frio da ausência tão lindamente proseado.
beijos

Victor Gil disse...

Olá Lídia.

"...Demora-te. Demora-te, assim…..."

É sempre bom a demora, quando as palavras, são assim como as tuas.
Beijos amiga
Victor Gil

Luas disse...

São tão bonitas, tuas palavras de uma grande poetisa como tu!
Parabéns querida amiga.
Um beijo
__Luana

Cris França disse...

Menina, a quem culpar?

cabe o mundo entre as tuas mãos...que lindo esse momento de poesia, maravilhoso.

beijos

Natural.Origin disse...

Mãos...

:)

Lilá(s) disse...

Quando as palavras se escrevem assim, tocam-me e sinto-as.
Bjs

Akhen disse...

Lidia

"demora-te..." tal como o amor conhece todos os segredos do silêncio da noite, o nenufar também só se abre nas horas em que o nosso eu reclama que o tempo demore mais tempo a passar. Ou talvez nunca acabe.

Paz e Luz no teu caminho

Branca disse...

Aqui, sempre a poesia à flôr da pele!

Obrigada Lìdia, pelo belo!

Beijinhos
Branca

Marcantonio disse...

Muito belo. Flutua aqui, nestes campos líquidos, um nenúfar permanente: a melhor poesia.

Abraço.

Sândrio cândido. disse...

sem palavras, a critica só impede que frutifique um poema como este.

Cris de Souza disse...

Diria, uma pedra preciosa...
Belíssimo!

Beijos em ti.

Rosa dos Ventos disse...

Belo o teu poema!

Abraço

AnaMar (pseudónimo) disse...

Esgotam-se as palvras para comentar um poema c.i.n.t.i.l.a.n.t.e. Musica entoada num fim de tarde.
Ficar rendida ao som. E p-e-r-m-a-n-e-c-e-r

Virgínia do Carmo disse...

Lindo. Uma deliciosa suspensão temporal...

Bjos

Juliana Matos. disse...

Que lindo Lídia, um pedido para que fique..demora-te..a ausência e a saudade machucam, a presença traz calor!
Um beijo
Ju

rosa-branca disse...

Não pode haver gelo onde a poesia rompe com este calor... Cálida a alma que a tranporta. Beijo meu

Mª João C.Martins disse...

Lídia

O gelo nos espaços vazios, nunca é urgente. Urgente é a esperança dos momentos belos renovados, a vida renascida em nós e aos nossos olhos.
Profundo e belo, como é habitual em si!

Um beijinho

Fernanda Ferreira - Ná disse...

Amiga Lídia!

Se me permite que a trate assim!
Dei uma volta pela sua casa...pelas poesias belas que nos dá a conhecer ou a relembrar.
Comento apenas este que me deixou com "pele de galinha"...
O gelo derrete quando o amor se detém e fica infinitamente em nós.
Volto, já me fiz seguidora.

Beijinho

Na Casa do Rau

Juliana Sphynx disse...

Tudo muito belo!
Ótima semana para você!
=D

Primeira Pessoa disse...

"albergar o níveo gelo no espaço vazio entre as minhas mãos"...

que lindo!

mariavento disse...

Especial. Belo.

Joaquim Maria Castanho disse...

Cruzam-se Vozes na Breve Altivez

Esfarelados escombros resumem os locais a histórias
Todas elas abertas aos acesos movimentos dos tempos
Por demais interrogativas e subtis nas fugazes memórias
Essas consumidas sem pios desvelados consentimentos
Alternos à dor, afoitos ao medo, idos contornos serôdios
Repartidos no degredo à volta do imenso ocaso no azul
Que feito ânsias já não vão além nem vêm, sequer restam
Lodo ou nesga de sombra movediça, chão de qualquer paul.

Cruzam-se vozes na breve altivez, qual sotaque da silente cor
Fazem aos homens outros homens o favor da infrutífera espera,
Mas quanto mais profunda é soletrada a profundidade em flor
Mais desmaiam os ângulos da igual redondez na global esfera.

Fosse a terra toda una e ninguém haveria de escorrer na solidão
Que isso do mundo é uma palete que se comete sem incriminar
Sem violar a integridade aos nomes nem lhes roubar a sede e pão
Cuja água nunca mata porque o seu mister é tão-somente saciar!