Chegas e eu fico suspensa nos gestos interrompidos.
A tua presença irrompe como nenúfar à superfície de um silêncio liquefeito.
Demora-te. Demora-te, assim…
Faz-me pensar que não é urgente albergar o níveo gelo no espaço vazio entre as minhas mãos.
[e da urgência, se acorda em nós, se faz um espaço: um trampolim cósmico em nó apertado, dentro condensado, e o tempo? o tempo permanece, acontece, como se o corpo tivesse madrugado antes da própria manhã]
"demora-te..." tal como o amor conhece todos os segredos do silêncio da noite, o nenufar também só se abre nas horas em que o nosso eu reclama que o tempo demore mais tempo a passar. Ou talvez nunca acabe.
O gelo nos espaços vazios, nunca é urgente. Urgente é a esperança dos momentos belos renovados, a vida renascida em nós e aos nossos olhos. Profundo e belo, como é habitual em si!
Se me permite que a trate assim! Dei uma volta pela sua casa...pelas poesias belas que nos dá a conhecer ou a relembrar. Comento apenas este que me deixou com "pele de galinha"... O gelo derrete quando o amor se detém e fica infinitamente em nós. Volto, já me fiz seguidora.
Esfarelados escombros resumem os locais a histórias Todas elas abertas aos acesos movimentos dos tempos Por demais interrogativas e subtis nas fugazes memórias Essas consumidas sem pios desvelados consentimentos Alternos à dor, afoitos ao medo, idos contornos serôdios Repartidos no degredo à volta do imenso ocaso no azul Que feito ânsias já não vão além nem vêm, sequer restam Lodo ou nesga de sombra movediça, chão de qualquer paul.
Cruzam-se vozes na breve altivez, qual sotaque da silente cor Fazem aos homens outros homens o favor da infrutífera espera, Mas quanto mais profunda é soletrada a profundidade em flor Mais desmaiam os ângulos da igual redondez na global esfera.
Fosse a terra toda una e ninguém haveria de escorrer na solidão Que isso do mundo é uma palete que se comete sem incriminar Sem violar a integridade aos nomes nem lhes roubar a sede e pão Cuja água nunca mata porque o seu mister é tão-somente saciar!
28 comentários:
Palavras que têm o condão de tocar, de fazer com que fiquemos...
Beijo
Lidia,
Como pode haver gelo entre as tuas cálidas mãos?
E fazer parar no meio do silêncio caricias que de despenham?
Um beijO
AL
[e da urgência, se acorda em nós, se faz um espaço: um trampolim cósmico em nó apertado, dentro condensado, e o tempo? o tempo permanece, acontece, como se o corpo tivesse madrugado antes da própria manhã]
um imenso abraço, Amiga Lídia
Leonardo B.
Lidia...
de tirar o fôlego da gente!
Lindo minha amiga!
Beijo e boa semana!
Gestos que se interrompem, indefesos... perdi cada um deles agora.
Que lindo, poetisa!
Beijos.
nenúfar, eu sempre quis usar essa palavra em um poema e niveo gelo então, imagens ricas
abraço
O frio da ausência tão lindamente proseado.
beijos
Olá Lídia.
"...Demora-te. Demora-te, assim…..."
É sempre bom a demora, quando as palavras, são assim como as tuas.
Beijos amiga
Victor Gil
São tão bonitas, tuas palavras de uma grande poetisa como tu!
Parabéns querida amiga.
Um beijo
__Luana
Menina, a quem culpar?
cabe o mundo entre as tuas mãos...que lindo esse momento de poesia, maravilhoso.
beijos
Mãos...
:)
Quando as palavras se escrevem assim, tocam-me e sinto-as.
Bjs
Lidia
"demora-te..." tal como o amor conhece todos os segredos do silêncio da noite, o nenufar também só se abre nas horas em que o nosso eu reclama que o tempo demore mais tempo a passar. Ou talvez nunca acabe.
Paz e Luz no teu caminho
Aqui, sempre a poesia à flôr da pele!
Obrigada Lìdia, pelo belo!
Beijinhos
Branca
Muito belo. Flutua aqui, nestes campos líquidos, um nenúfar permanente: a melhor poesia.
Abraço.
sem palavras, a critica só impede que frutifique um poema como este.
Diria, uma pedra preciosa...
Belíssimo!
Beijos em ti.
Belo o teu poema!
Abraço
Esgotam-se as palvras para comentar um poema c.i.n.t.i.l.a.n.t.e. Musica entoada num fim de tarde.
Ficar rendida ao som. E p-e-r-m-a-n-e-c-e-r
Lindo. Uma deliciosa suspensão temporal...
Bjos
Que lindo Lídia, um pedido para que fique..demora-te..a ausência e a saudade machucam, a presença traz calor!
Um beijo
Ju
Não pode haver gelo onde a poesia rompe com este calor... Cálida a alma que a tranporta. Beijo meu
Lídia
O gelo nos espaços vazios, nunca é urgente. Urgente é a esperança dos momentos belos renovados, a vida renascida em nós e aos nossos olhos.
Profundo e belo, como é habitual em si!
Um beijinho
Amiga Lídia!
Se me permite que a trate assim!
Dei uma volta pela sua casa...pelas poesias belas que nos dá a conhecer ou a relembrar.
Comento apenas este que me deixou com "pele de galinha"...
O gelo derrete quando o amor se detém e fica infinitamente em nós.
Volto, já me fiz seguidora.
Beijinho
Ná
Na Casa do Rau
Tudo muito belo!
Ótima semana para você!
=D
"albergar o níveo gelo no espaço vazio entre as minhas mãos"...
que lindo!
Especial. Belo.
Cruzam-se Vozes na Breve Altivez
Esfarelados escombros resumem os locais a histórias
Todas elas abertas aos acesos movimentos dos tempos
Por demais interrogativas e subtis nas fugazes memórias
Essas consumidas sem pios desvelados consentimentos
Alternos à dor, afoitos ao medo, idos contornos serôdios
Repartidos no degredo à volta do imenso ocaso no azul
Que feito ânsias já não vão além nem vêm, sequer restam
Lodo ou nesga de sombra movediça, chão de qualquer paul.
Cruzam-se vozes na breve altivez, qual sotaque da silente cor
Fazem aos homens outros homens o favor da infrutífera espera,
Mas quanto mais profunda é soletrada a profundidade em flor
Mais desmaiam os ângulos da igual redondez na global esfera.
Fosse a terra toda una e ninguém haveria de escorrer na solidão
Que isso do mundo é uma palete que se comete sem incriminar
Sem violar a integridade aos nomes nem lhes roubar a sede e pão
Cuja água nunca mata porque o seu mister é tão-somente saciar!
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