segunda-feira, 12 de julho de 2010


Hoje estou cá…
Não tenho frio nem calor
Não sinto tristeza nem júbilo
Nem raiva nem apego
Hoje não sou donde sou
Não sou do tão longe
Onde o tempo se esgotou
E os anjos gastaram
O branco das asas.

O que farei, inerte
Dentro deste estar deserto
A luz, um manto aceso
No alto do meu espanto
Que faço aqui
Sem passos nos pés
No meio de um dia
Que me arde tanto?

33 comentários:

ana p disse...

´Há dias feitos para nos arderem no peito ....
Beijo

AC disse...

Há dias em que as aves parecem não voar, as águas parecem não correr...
Há dias "sem passos nos pés."
Felizmente apenas dias.

UBIRAJARA COSTA JR disse...

São dias que chegam assim, deixando-nos a deriva de nós mesmos...
Mas passam.
beijos e uma boa tarde.

. brunno henrique ∞ disse...

pois é como disse a dulce, sempre passam. no final das contas o sol sempre volta a surgir...

boa tarde, *-*

Juliana Matos. disse...

Talvez a espera de uma resposta, um por que, um sentido especial, sim as vezes ficamos assim!
Um beijo da Ju

Luiza Maciel Nogueira disse...

pois, inventa, mas tem dias assim sem ter o que fazer...alguns bons outros ruins. :)

beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

ah e lembrei não menos especiais, não menos banais :)

Lilá(s) disse...

Há dias assim em que só resta esperar o nascer de um novo dia.
Bjs

Em@ disse...

gostei muito das imagens que utilizaste.

"Que faço aqui
Sem passos nos pés
No meio de um dia
Que me arde tanto? "

lindo! e expressa com beleza uma pergunta recorrente a muitos de nós...
resta-nos esperar que amanhã seja outro dia.

bei|o

beijo

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Nos desertos, nascem belas e eternas rosas...
Se abraçarmos os dias, por muito que eles nos doam e, nas noites, pendurarmos um sorriso... jamais perderemos a vontade de voar e de nos erguermos do espanto.

... sente-se a dor, essa negra e densa névoa.

A minha admiração e o meu carinho, num abraço

angela disse...

Muito bonito poema sobre esse nada que nos arde.
beijos

José Carlos Brandão disse...

Por isso gosto do teus versos, um deserto tão pleno, que arde tanto.
Beijo.

Paula Barros disse...

Há dias que ficamos assim, nem vamos, nem voltamos..meio que rodopiando no nada.

Adorei este trecho:
"Onde o tempo se esgotou
E os anjos gastaram
O branco das asas."

Fiquei a imaginar como deve ter sido este gastar o branco...

beijo

Milhita disse...

Hoje despertei aqui, abri as mãos desse nada que parece tanto, nascente plena de um encanto que me transbordou e adocicou a alma.
Lindo, fico aqui mais um instante!

Alma Mateos Taborda disse...

Precioso poema de tedio, en que tenemos un estado neutro. Lo bueno es que pasa y se vuelve a sentir ganas de vivir con alegría. ¡Felicitaciones, muy bien logrado el poema! Un abrazo.

Anónimo disse...

Sentimento onde cada momento roe os ossos e a dormência toma conta de tudo o que é absoluto!
Lindo vídeo de camões!

Paula Barros disse...

Vendo o video, lindas imagens, bom ouvir este sotaque lindo.

abraço

Mona Lisa disse...

Há dias em que nada faz sentido...

Bjs.

Valquíria Calado disse...

Arde os sonhos querendo crescer, retidos, por não poder voar, tomar forma e doi, e doi na alma, mas amanhã outro sonho toma forma nos raios de sol que teimam em brilhar, e graças a Deus por eles, bjos muitos amiga querida em teu corção.

Primeira Pessoa disse...

putz... zeca afonso... ah, lídia... tão emblemático...
escuto e sinto um calafrio na alma... às vezes acho-me meio lusitano no sentir...

deve ser temor ao mar.
deve ser...

Sândrio cândido. disse...

talvez quando todos chegam ao momento de gloria , todos se sintam assim.

ELILUC disse...

Senti nostalgia y/o tristeza en tus versos.
un abrazo

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida Lidia
Belo poema, como sempre.

O que farei, inerte
Dentro deste estar deserto

Quanto sentir, nestas poucas palavras, e como me dizem de mim.

beijinhos
Sonhadora

margusta disse...

Muito belo o seu poema Lídia!... E existem dias assim...

Um beijinho,
Margusta

O Puma disse...

Canta

Venham mais cinco

joaquim do carmo disse...

Há dias... que nos ardem tanto!
"... Hoje não sou donde sou..." - um deserto, mesmo, esses dias! Sem passos, sem asas, sem SER!
Beijinho

Jorge disse...

Lindo poema,
Um conselho:Quando está assim, ENCONTRE TEMPO PARA VIVER.
Bji
J

Lago Mudo disse...

Ode a uma vontade de não ser... muito belo.

P L disse...

Lídia, querida, seus escritos são maravilhosos! De uma sensibilidade única! Parabéns por mais essa pérola que nos enfeita o dia e ilumina a alma.

Beijos,
Patrícia Lara

sérgio figueiredo disse...

Porque procuro a beleza de estar com as palavras, tenho caminhado por este mundo virtual que muito me tem oferecido. É assim que explico o estar neste teu espaço onde, me encanta a soberba capacidade de conjugares as palavras e, me acarinhares o gosto pela Poesia.
Estarei por cá, mais vezes, para ler e reler a força das palavras, que aqui, é grande.

Obrigado
bj...nho

Fred Matos disse...

Muito bom, Lídia.
Ótimo fim de semana.
Beijos

A.S. disse...

Nesta tua seara, não poderiam faltar Camões e o Zeca, além do teu talento!

BeijO
AL

Dois Rios disse...

Querida Lidia,

Há dias em que atravessar o deserto é o único mal necessário.

Beijo,
Inês