
No alvorecer branco desta varanda cheia de mar
busco a água e o sal em mapas no corpo da infância
quando os risos eram conchas abertas
a habitarem os meus castelos de areia
que desafiavam a grandeza das ondas.
Mais tarde…
Eram os barcos que enxergava da praia,
sempre distantes e inacessíveis
como sonhos que partiam sem mim.
Sobre a areia era o sol derramado
e a língua morna do vento
a lamber os nossos corpos molhados.
Era a pedra cinzelada pelo vai e vem do tempo
Sem nada saber do tempo,
tão lisa e inócua como eu.
E depois, depois...
O mergulho na gruta labiríntica, sem fio de Ariadne,
arquitectada por uma inquietação permanente,
um medo indecifrável , sem nome
a apontar-me o fracasso, o fim antes de tudo
O fim desumano muito antes do fim.
Hoje é ainda a complacência do mar
dispersa nos vagares desta maré vaza
a falar-me da raiz nociva de outras marés
e de velhos sonhos naufragados,
barcos engolidos por temporais com fome.
Sorrio ao ver tantos barcos ainda no cais.
Alguns realizaram grandes viagens
debaixo de ameaças e assombrações
mantendo-se sempre à superfície
na liquidez das águas,
no balancear de ventos benévolos...
Como estes que, agora, me prometem a paz
no perfume suave do momento.
18 comentários:
O mar é um convite à viagem.
Os barcos sempre à espera.
O horizonte é a imagem
do infinito, da quimera.
Gostei do seu poema, Lídia. O mar sempre me fascinou.
Este MAR imenso que nos faz sonhar e que os sonhos só são possíveis quando dentro dele...
Sempre belos poemas, Lídia.
Beijinhos
O Mar é a maior metáfora da nossa vida, dando-nos lições preciosas para o presente e até para quem tem saudades do futuro.
As ondas continuam e a vida também.
Tenha um mar de felicidade.
J
Muito bom teu blog....
da uma passadinha no meu depois...
Bjus
Muito gostoso de ler este poema, está lindo!
beijos, otima semana
Seus versos são embalados em ondas, sinto-me barquinho de papel à deriva ao lê-los.
Beijos.
lidia sinto sua falta lá no aalmaearosa.
saudações.
O olhar apreensivo da poetisa, mas ainda com um remate de esperança.
Beijo
Tudo já foi dito, linda poesia carregada de lembranças e esperanças.
Beijos
Praia
É um poema lindo onde predomina um Mar benevolente que leva de manso os barcos, na dolência da maré.
Praia e Mar, é o Princípio do mundo e talvez o Fim...
Obrigada por sua presença, no meu blogs.
Maria Luísa
Vivo para sempre
som dentro do sonho
lúcido e claro coração
sonha a sós contigo
Um beijo
Ao usufruir a paz dos momentos em que há o perfume da paz acalmando nossos interiores, muitas vamos dormir e sonhamos e sonhamos.
São velhos sonhos que sairam para o meio do mar e que naufragaram; e nossos barcos, como você disse,
foram engolidos por temporais de realidade que andavam famintos.
Que lindo.....
"No alvorecer branco desta varanda cheia de mar
busco a água e o sal em mapas no corpo da infância
quando os risos eram conchas abertas
a habitarem os meus castelos de areia
que desafiavam a grandeza das ondas"...
Que paixão, este seu poema. Parabéns querida!
Beijos daqui, deste 'mar salgado e doce por natureza'.
Anna
Se há uma promessa de paz, então tudo valeu a pena...
Beijinhos
gostei deste amar :)
Brisas mansas para ti*****
Boa noite Lídia,
o mar tem este poder contagiante de nos fazer divagar... Adorei, está lindo, lindo o seu poema!
Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas
Onde moro não há mar... há um rio tão carregado de meus mergulhos que me sinto parte... é como se sempre eu estivesse ali, dentro de suas águas ou nas margens olhando-o seguir o curso... é uma sensação de vida querida.
Uma bela semana a ti...
Lidia
Li e parti com os sonhos que os barcos levavam.
Por vê-los passar ao longe, quantas terras distantes visitamos? Por ver uma pequena onda desfazer-se na areia, quantas vezes vamos ao principio do mar que a traz?
Li e fiquei quieto a imaginar o universo.
Um beijo.
Paz e Luz no seu caminho
Enviar um comentário