terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Labirinto


A manhã trazia no frio das mãos
a distância de todas as coisas
Das coisas presentes e das coisas ausentes
a densidade de uma recusa
obstinada
que se instalava
no corpo chuvoso do dia
sem que se lhe conhecesse
razão ou solução

Uma certa desordem
acomodava-se híbrida
no dédalo da mente


Que despojamento era aquele?
Que deserto o abrigava?
Um fulgor ínfimo flamejou
quando o dia já ia longo
mas nenhuma vontade
podia subsistir
à exiguidade daquela luz

Pendente do céu oscilava
uma estrela sem brilho
e apagava-se claramente
na noite o que restara
de umas velhas asas de papel
Deixadas à chuva

Lídia Borges

34 comentários:

Anónimo disse...

Lídia, mesmo no tempo que fiquei sem comentar e postar, continuei a ler os amigos queridos como vc, nunca deixei sua sensibilidade me passar despercebida, viu? =)

Este poema é belíssimo, com imagens delicadas e incríveis. Como sempre, vc nos toca profundamente.

Beijo, poetisa querida.

alma disse...

Lídia,

As tuas palavras vão aquém da chuva.

Um quase monólogo onde me encontrei, onde deixo o meu obrigada.

bj

A Palavra Mágica disse...

Lídia,

A chuva...

Um dia de chuva sempre nos põe a pensar...

Beijos!
Alcides

Graça disse...

Tão belo, este poema! Os últimos versos são magníficos. O que escreves, Lídia, faz bem à minha alma, que adora poesia.

Um beijinho de boa noite.

AC disse...

Lídia,
Valha-nos que labirintos assim são efémeros, por demais sensíveis ao brilho da luz.
(Gosto sempre!)

Beijo :)

Ana SSK disse...

Estrelas sem brilho tb t~em suas belezas.

Rogério G.V. Pereira disse...

Poeta,
Depois deste teu poema ler,
Gelado,
fui acender um sol para me aquecer
e pendurei-o ao meu lado...

(Devia ser Minha Alma a escrever isto, mas acabou sendo o Meu Contrário)

Branca disse...

Assombrosamente lindo este poema, num dedilhar de um dia chuvoso e diferente. O dom de falares de todas as coisas de uma forma poética que de tão perfeita parece fácil, parece deslizar nas palavras como mel no pão e é pão para a nossa alma.
Adorei.
Beijinhos
Branca

vieira calado disse...

Bem bonito

este seu poema!


Beijinhosss

Pedro Gaivota disse...

Sempre que a leio apetece-me esconder o computador, deitar fora papeis e lápis e jamais me atrever a desenhar uma palavra que seja...

Parabéns!
Beijinhos.

Unknown disse...

em busca do fio de Ariadne, metáfora do nosso percurso circular e cíclico,

beijo

Jorge Pimenta disse...

lídia,
poema de chuva (com ou sem sal) onde o inverno povoa os canais que nos ligam às ramagens da melancolia e da solidão. impossível não sentir um arrepio na pele ao ler-te...
p.s. que melodia é esta que aqui nos ofereces? soa-me a madredeus, mas a ausência da voz da t. salgueiro deixam-me na dúvida.
beijinho!

deep disse...

Palavras lindíssimas. Obrigada, Lídia.

Bom feriado. :)

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

Parabéns pelo belo poema.

Lendo-o senti a melancolia de um dia de chuva e vi-me olhando-a e...

Bjs.

Anónimo disse...

Sempre existe um dia entre a noite e a matina!

Maria P. disse...

Lindo.
Mesmo a soar a inverno...

Beijinho*

Unknown disse...

"Há dois labirintos do espírito humano: um respeita à composição do contínuo, o outro à natureza da liberdade; e ambos têm origem no mesmo infinito ."

Beijo.

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Nem sempre a desordem consegue salvar o brilho de uma estrela. A noite é sempre imperiosa.
Mas, sabemos, o retorno da luz do sol, devolverá às asas o reflexo prata da chuva e, depois disso, nenhum labirinto nos retirará a força para voar de novo.

A tua poesia é sempre especial, nela me encontro tantas vezes, como um eco das tuas palavras.

Um beijinho de admiração

Graça Pereira disse...

Por entre as gotas nostálgicas da chuva, há vultos que se vislumbram trémulos...mas o sol irá amanhã dourá-los e...as pobres asas desfeitas, terão vida para voarem mais alto ainda...
A tua Poesia seduz-me em todas as temperaturas!
beijo
Graça

Elzenir Apolinário disse...

Lídia, delicioso poema...doce e cálido. Fiz um peoma sensual, dê uma olhadinha.Abraços!!

Victor Gil disse...

Olá Lídia.
Labirintos, são caminhos onde a entrada é certa e a saída é incerta. E em dias de chuva, no correr dos caminhos, as pedras, são restos de chão que se perderam no tempo.
Beijos amiga.
Victor Gil

Virgínia do Carmo disse...

Lindo, Lídia!
A chuva salpica-nos de nostalgia, quase sempre....

Beijinho

Fátima disse...

Oi Lídia

Belíssimo poema!
As asas da fragilidade humana.

Beijos meu

lis disse...

A natureza é toda ela poética, mas ver a chuva da janela , senti-la e ouvi-la traz na alma sensaçoes diferentes das tiradas de um dia de sol.
Sao momentos distintos e belos.
Sua poesia fala em desertos da mente, recusas e ausencias.
Muito gostoso de ler e reler.
Abraços Lídia e obrigada pela linda partilha.

Secreta disse...

Uma estrela que muito embora não brilhe, é certo que não passa despercebida!

Cris França disse...

Lídia

vim trazer o meu abraço, minha amizade e o meu carinho, para fazer o teu dia mais quentinho. bjão

Manuela Freitas disse...

Olá Lídia,
Gostei bastante do poema e os poetas sempre andam pelos labirintos, logo me veio ao pensamento o Jorge Luis Borges!
Já segui este blogue, não sei se estou a seguir, tenho que verificar, mas voltarei!
Bjs,
Manuela

E.A. disse...

Porque o milagre existe, talvez as "asas de papel" voem ao encontro da luz, muito antes da chuva chegar.
Belíssimo. Um beijinho

ana p disse...

Sempre um prazer ler-te Lidia
Bj

Graça Pereira disse...

Olá Lidia
O "Josafat" é todo teu...
Beijo
Graça

Carmo disse...

Lídia, magnífico poema. Adorei

Beijinhos e bom fim de semana

José Sousa disse...

Olá amiguinha!
Gostei da sua postagem...mais uma fonte de cultura que descobri! penso que é a primeira vez que cá venho, vou seguir o seu blogue, gostei. Siga os meus também!

www.congulolundo.blogspot.com
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www.inforvideo.blogspot.com

Um grande abração e até sempre

Mar Arável disse...

Uma bela viagem

por um instante

que faz a diferença

Bjs

lupuscanissignatus disse...

firme

questionar


[gota
cintilante]


[como as
asas das
estrelas]


*bom-fim-de
semana*