
A manhã trazia no frio das mãos
a distância de todas as coisas
Das coisas presentes e das coisas ausentes
a densidade de uma recusa
obstinada
que se instalava
no corpo chuvoso do dia
sem que se lhe conhecesse
razão ou solução
Uma certa desordem
acomodava-se híbrida
no dédalo da mente
…
Que despojamento era aquele?
Que deserto o abrigava?
Um fulgor ínfimo flamejou
quando o dia já ia longo
mas nenhuma vontade
podia subsistir
à exiguidade daquela luz
Pendente do céu oscilava
uma estrela sem brilho
e apagava-se claramente
na noite o que restara
de umas velhas asas de papel
Deixadas à chuva
a distância de todas as coisas
Das coisas presentes e das coisas ausentes
a densidade de uma recusa
obstinada
que se instalava
no corpo chuvoso do dia
sem que se lhe conhecesse
razão ou solução
Uma certa desordem
acomodava-se híbrida
no dédalo da mente
…
Que despojamento era aquele?
Que deserto o abrigava?
Um fulgor ínfimo flamejou
quando o dia já ia longo
mas nenhuma vontade
podia subsistir
à exiguidade daquela luz
Pendente do céu oscilava
uma estrela sem brilho
e apagava-se claramente
na noite o que restara
de umas velhas asas de papel
Deixadas à chuva
Lídia Borges
34 comentários:
Lídia, mesmo no tempo que fiquei sem comentar e postar, continuei a ler os amigos queridos como vc, nunca deixei sua sensibilidade me passar despercebida, viu? =)
Este poema é belíssimo, com imagens delicadas e incríveis. Como sempre, vc nos toca profundamente.
Beijo, poetisa querida.
Lídia,
As tuas palavras vão aquém da chuva.
Um quase monólogo onde me encontrei, onde deixo o meu obrigada.
bj
Lídia,
A chuva...
Um dia de chuva sempre nos põe a pensar...
Beijos!
Alcides
Tão belo, este poema! Os últimos versos são magníficos. O que escreves, Lídia, faz bem à minha alma, que adora poesia.
Um beijinho de boa noite.
Lídia,
Valha-nos que labirintos assim são efémeros, por demais sensíveis ao brilho da luz.
(Gosto sempre!)
Beijo :)
Estrelas sem brilho tb t~em suas belezas.
Poeta,
Depois deste teu poema ler,
Gelado,
fui acender um sol para me aquecer
e pendurei-o ao meu lado...
(Devia ser Minha Alma a escrever isto, mas acabou sendo o Meu Contrário)
Assombrosamente lindo este poema, num dedilhar de um dia chuvoso e diferente. O dom de falares de todas as coisas de uma forma poética que de tão perfeita parece fácil, parece deslizar nas palavras como mel no pão e é pão para a nossa alma.
Adorei.
Beijinhos
Branca
Bem bonito
este seu poema!
Beijinhosss
Sempre que a leio apetece-me esconder o computador, deitar fora papeis e lápis e jamais me atrever a desenhar uma palavra que seja...
Parabéns!
Beijinhos.
em busca do fio de Ariadne, metáfora do nosso percurso circular e cíclico,
beijo
lídia,
poema de chuva (com ou sem sal) onde o inverno povoa os canais que nos ligam às ramagens da melancolia e da solidão. impossível não sentir um arrepio na pele ao ler-te...
p.s. que melodia é esta que aqui nos ofereces? soa-me a madredeus, mas a ausência da voz da t. salgueiro deixam-me na dúvida.
beijinho!
Palavras lindíssimas. Obrigada, Lídia.
Bom feriado. :)
Olá Lídia
Parabéns pelo belo poema.
Lendo-o senti a melancolia de um dia de chuva e vi-me olhando-a e...
Bjs.
Sempre existe um dia entre a noite e a matina!
Lindo.
Mesmo a soar a inverno...
Beijinho*
"Há dois labirintos do espírito humano: um respeita à composição do contínuo, o outro à natureza da liberdade; e ambos têm origem no mesmo infinito ."
Beijo.
Lídia
Nem sempre a desordem consegue salvar o brilho de uma estrela. A noite é sempre imperiosa.
Mas, sabemos, o retorno da luz do sol, devolverá às asas o reflexo prata da chuva e, depois disso, nenhum labirinto nos retirará a força para voar de novo.
A tua poesia é sempre especial, nela me encontro tantas vezes, como um eco das tuas palavras.
Um beijinho de admiração
Por entre as gotas nostálgicas da chuva, há vultos que se vislumbram trémulos...mas o sol irá amanhã dourá-los e...as pobres asas desfeitas, terão vida para voarem mais alto ainda...
A tua Poesia seduz-me em todas as temperaturas!
beijo
Graça
Lídia, delicioso poema...doce e cálido. Fiz um peoma sensual, dê uma olhadinha.Abraços!!
Olá Lídia.
Labirintos, são caminhos onde a entrada é certa e a saída é incerta. E em dias de chuva, no correr dos caminhos, as pedras, são restos de chão que se perderam no tempo.
Beijos amiga.
Victor Gil
Lindo, Lídia!
A chuva salpica-nos de nostalgia, quase sempre....
Beijinho
Oi Lídia
Belíssimo poema!
As asas da fragilidade humana.
Beijos meu
A natureza é toda ela poética, mas ver a chuva da janela , senti-la e ouvi-la traz na alma sensaçoes diferentes das tiradas de um dia de sol.
Sao momentos distintos e belos.
Sua poesia fala em desertos da mente, recusas e ausencias.
Muito gostoso de ler e reler.
Abraços Lídia e obrigada pela linda partilha.
Uma estrela que muito embora não brilhe, é certo que não passa despercebida!
Lídia
vim trazer o meu abraço, minha amizade e o meu carinho, para fazer o teu dia mais quentinho. bjão
Olá Lídia,
Gostei bastante do poema e os poetas sempre andam pelos labirintos, logo me veio ao pensamento o Jorge Luis Borges!
Já segui este blogue, não sei se estou a seguir, tenho que verificar, mas voltarei!
Bjs,
Manuela
Porque o milagre existe, talvez as "asas de papel" voem ao encontro da luz, muito antes da chuva chegar.
Belíssimo. Um beijinho
Sempre um prazer ler-te Lidia
Bj
Olá Lidia
O "Josafat" é todo teu...
Beijo
Graça
Lídia, magnífico poema. Adorei
Beijinhos e bom fim de semana
Olá amiguinha!
Gostei da sua postagem...mais uma fonte de cultura que descobri! penso que é a primeira vez que cá venho, vou seguir o seu blogue, gostei. Siga os meus também!
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Um grande abração e até sempre
Uma bela viagem
por um instante
que faz a diferença
Bjs
firme
questionar
[gota
cintilante]
[como as
asas das
estrelas]
*bom-fim-de
semana*
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