quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Corria atrás do vento


Corria atrás do vento
Como louco ou herói
Esbracejava e gritava
De boca escancarada
Para engolir o vendaval

Acreditava que tendo um vendaval
Na barriga
Derrubaria fomes e dores
Injustiças desamores

Corria atrás do vento
Na ilusão absurda de o domar.

Correu horas meses anos sem conta
Contra a dureza do chão
Contra o (des)acontecer
Sucumbiu por fim
Na apreensão da cor
De um certo entardecer

Só então compreendeu

Cada um tem apenas para dar
Uma mão estendida
Que outro irá segurar

27 comentários:

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Hoje passando apenas para te deixar carinhos...beijinhos e dizer que estou de volta e com saudades.

Sonhadora

AC disse...

Lídia,
Eis um tema eterno e que promove sempre alguma agitação. Mas não somos nada sem os outros, disso não tenho a menor dúvida.

Beijo :)

Cris França disse...

ah hoje eu não corro mais não...rs ele que se quiser corra atrás de mim. bjs querida, lindo poema, como sempre.

Rogério G.V. Pereira disse...

Umas vezes
nem é necessário
compreender um poema,
basta senti-lo
Outras,
além de o entender
e sentir
é necessário ergue-lo
não como uma bandeira
mas como um apelo

MeuSom disse...

... e sabes..., as mãos se encontram num laço que é um abraço não passível de se desfazer.
E como diz o AC, nada somos uns sem os outros e sem o direito de apontar o dedo.
Como sempre, muito bonito o teu poema e o registo das mensagens.
Um beijo.

chica disse...

Profunda e linda mensagem na poesia...beijos,chica

Graça Pereira disse...

Corremos contra o vento na esperança de amainar os vendavais que há dentro de nós...
Este é o poema que entra em nós...tambem como um vendaval!
Beijo
Graça

Unknown disse...

Bonito.Viver de esperanças é como viver do vento...

Beijo.

Anónimo disse...

Que linda lição, poetisa, suas palavras têm força e personalidade para transmitirem além!

Beijo.

A.S. disse...

Lidia,

Infelizmente, muitos ainda continuam perseguindo o vento...

Lindo o teu poema!

Beijos!
AL

Moisés de Carvalho disse...

Beleza , força, e ensinamento.
Assim eu li o seu poema.

Muito lindo, como sempre !

Um beijo !

Marinha disse...

Lídia, na inocência não há culpa em si por existir e sonhar com a força capaz de aplacar as dores e a fome (de alimento e de vida).
Teu texto é belíssiomo!
Fico feliz de chegar ao blog e poder alimentar-me com tua poesia!
Bjo

Unknown disse...

ter um vendaval na barriga como salvação, que imagem - eu tenho penas para doar


beijo

Sempre disse...

E hoje apenas, ponho a minha mão sobre a tua mão. Abraço ;)

angela disse...

Tantos sonhadores se perdem correndo quando é tão limitado o que se pode fazer. Limitado mas efetivo.
Muito bom.
beijos

Guilg7 disse...

corajosa
ir atrás do vento é pra quem tens fé
de conseguir vê-lo sem se machucar
saindo sem um arranhão sequer.

http://guilg7.blogspot.com/

vlw...

Dilmar Gomes disse...

Olá querida Lídia. Gostei muito do teu belo poema.

João de Sousa Teixeira disse...

E assim é na solidariedade, na amizade e no amor!
Generosos, todos.

Beijinho
João

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Às vezes, é preciso correr atrás do vento, sentir o cansaço de nunca o abraçar de verdade, para perceber que apenas a quietude de um gesto é tudo o que, na verdade, faz realmente sentido.

Lindíssimo!

Um abraço grande para ti, com toda a minha admiração dentro!

Carlos Gonçalves disse...

Lidia, há os que correm atrás do vento e os que correm contra o vento, eu sou um destes, estendo a mão e o vento, é vendaval, leva-ma!
Beijo, de muito afecto, querida.
Carlos

Mar Arável disse...

Por vezes torna-se necessário

correr contra o vento
Muito sugestivo

Anónimo disse...

Eu já corri tanto atrás do vento minha flor.
A mão que me acolheu estava por entre as folhagens,próxima da minha solidão sombria.
Beijos millllllllllllllll.

Catarina disse...

Venho agradecer a sua visita, Lídia. Gostei do vi e li. Voltarei. Um abraço.

Unknown disse...

Bom dia
Hoje acordei com vontade de correr no vento e bebê-lo até ficar de barriga cheia.
O teu poema sente-se a bater-nos cá dentro e contra o vento que nos aperta essa outra mão que se estende.
Um beijo de agradecimento e partilha.

Sândrio cândido. disse...

lidia, hoje corremos atrás do tempo.
saudações

UBIRAJARA COSTA JR disse...

E quanta gente passa a vida correndo atrás do vento, sem nem sequer ver a vida passar, tão célere quanto o vento...
Beijos

Guma disse...

Olá,
vim "correndo" através da chamada do Rogério em seu blog.
Uma mão que se estendeu e outra e mais outra, se transformaram em francos abraços.

Kandandos, e minha admiração pela sua arte.