quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Outrora eram lisos os atalhos

Vladimir Kush

Outrora eram lisos os atalhos
E macias as cumplicidades.
As minhas palavras sabiam de cor
O caminho para o teu coração.

Mas isso era quando eu tinha
Sempre o que te dizer.
Quando as nuvens brancas
Tocadas pelo vento
Eram flores ou búzios
Pássaros ou peixes.
Era quando nas minhas veias
Corria a luz de um sol
Sempre aceso.

Era no tempo em que as palavras
Tinham o sopro dos deuses
Que só sabem coisas
Edificadas sobre a poesia e o amor.
Era no tempo em que à entrada
Da noite, na minha rua,
Não havia versos sem-abrigo
Encostados a portas solidamente
fechadas.

Lídia Borges

38 comentários:

Jaime A. disse...

Era no tempo que procurava o tempo das palavras que salvavam, que despertavam, e corria sempre o sol e era suave o tempo e os relógios punham o tempo do nosso lado.

Penélope disse...

Meu Deus! Com esta canção de fundo e os quatro primeiros versos...
Falta-me ar, minha amiga!
Lindo! Lindo!
Beijinhos

Agulheta disse...

Lídia.Sempre em algum momento terá que dizer,é muito agradável ler palavras simples e que tanto dizem...por menos a minha pessoa, que sou simples.
Beijinho e bom Ano 2011

alma disse...

Lídia,

Ao som desta música, as tuas palavras entram como memórias, como tempo que foi de chuva lisa, onde se transpunham sóis sem poente.

Deixas-te-me assim a meio tom do dentro e do fora.

bj

Graça Pereira disse...

"As minhas palavras sabiam de cor o caminho para o teu coração"...naquele tempo em que os atalhos eram lisos! Mudaram as palavras? Ou os caminhos já não têm espigas cheias de fé e amor?
Mas a poesia continua a pôr brasas no nosso coração e ainda bem!
Beijo
Graça

Ana SSK disse...

Correndo sol pelas veias...só pode, pra escrever tão bonito.

poesia del cielo disse...

suaves momento na que o amor era asim de lindo de se caminhar suave liso sin pedras...letras muito lindas ...

saludos
linda semana
abracos

ana p disse...

Poemas podem abrir portas...
Bj

Cristina Fernandes disse...

Belíssimo este teu poema, como um sopro da voz dos Deuses...
Desejo-te um excelente ano com muita poesia e tudo de bom.
Bjs
Chris

OutrosEncantos disse...

Obrigada Lídia, Feliz 2011 também para ti.
Poema muito bonito, parabéns.
Beijo.

Unknown disse...

poema estupendo, maravilhoso


beijo

Anónimo disse...

Este poema aqueceu o meu peito. E, por isso, agradeço-te.
Um beijo

Valquíria Calado disse...

Olá, boa noite, vim desejar-te um fim de semana cheio de alegrias, abraço.
"Muitas pessoas pensam que a felicidade somente será possível depois de alcançar algo, mas a verdade é que deixar para ser feliz amanhã é uma forma de ser infeliz." (ROBERTO SHINYASHIKI)

Rogério G.V. Pereira disse...

Lidia
Diga-me como faz
Procura as poesias?
Ou são elas
que lhe escorrem da alma
e lhe inundam as mãos
assim
todos os dias?

Unknown disse...

Outrora as palavras eram lisas e suaves. Sabia o caminho para o teu coração.

Muito bonito este poema que nos faz recuar no tempo e reviver o encanto e a saudade de amar sem palavras nem gestos.

"Era quando nas minhas veias
Corria a luz de um sol
Sempre aceso."

Graça Pires disse...

obrigada pela visita e pelas palavras deixadas no meu "Ortografia". Passarei aqui mais vezes.
Beijos.

João de Sousa Teixeira disse...

Ontem, não sei porquê, não consegui aceder a este post. Afinal teria perdido se não tivesse insistido: é um poema excelente!
Beijinho
João

sérgio figueiredo disse...

"mas isso era quando eu tinha sempre o que te dizer...".

E porque já não tens nada para "lhe" dizer?
As palavras não te faltam e olha que são bem coloridas de amor. Elas não se cansam, os nossos sentires não param, preguiça não é, sei-o bem. O que é?
Abre essas portas, pede ao vento, aos Deuses, que o tragam e diz-lhe que à muito o esperavas.

bj...nho

Folhetim Cultural disse...

Olá bom fim de semana. Estou convidando você para participar do meu blog neste fim de semana sábado ás 09 horas minha coluna poética. Ás 13 horas uma homenagem ao piloto Ayrton Senna e ás 17 horas chá das 5. Conto com você lá.
Este é o endereço de meu blog: informativofolhetimcultural.blogspot.com
Magno Oliveira
Folhetim Cultural

FlorAlpina disse...

Perfeita sintonia!
Imagem palavras e som!

Bjs dos Alpes

Mar Arável disse...

Belo este ancorar nas memórias
para que se cumpra
o destino dos barcos

TERE disse...

"...Da noite, na minha rua,
Não havia versos sem-abrigo
Encostados a portas solidamente
fechadas..."

Sensibilidade no atual e nas memmórias de quem assim escreve.Emocionei-me...poesia de verdade!

Bjs

AC disse...

Lídia,
A poesia também se ressente da penumbra dos dias.
Magnífico!

Beijo :)

Mª João C.Martins disse...

Lídia

E as palavras são, na tua poesia, como bilros soprados pelos deuses a rendilhar a essência do mundo. Assim, lendo-te, por muito tortuosos que sejam os caminhos, continuo na mansa cumplicidade de sentir o quanto podem ser lisos os atalhos, se assim o quisermos!

Beijinhos

M(im) disse...

sempre magnífico!
Beijinhos

Carlos Gonçalves disse...

Lidia, talvez seja da minha sensibilidade, da minha fragilidade, mas, querida, este foi o teu poema que mais me marcou.
"...
Da noite, na minha rua,
Não havia versos sem-abrigo
..."
Mas, Lidia, os versos nunca tem abrigo, os versos são sonhos soltos ao vento.
Beijo, de muito afecto, Lidia.
Carlos

Maria Rodrigues disse...

Querida amiga, tão lindo mas tão nostálgico. É doloroso quando damos conta que perdemos o caminho para o coração de quem queremos.
Tenha um maravilhoso fim de semana
Beijinhos
Maria

Carmo disse...

Outrora havia extensos areais onde os amantes se refugiavam.
Beijo

Boa semana

Anónimo disse...

Há tempos que parecem não ter existido, ou aconteceram paralelamente a este tempo de portas fechadas para os sonhos.

Lindo, Lídia!

Beijo.

E.A. disse...

Fiquei estarrecida, a sua poesia é abençoada.
Um beijinho

JB disse...

Macia é a voz das suas palavras!
Um poema onde a luz do sol está sempre acesa!

Belo!!!

Beijinho

Graça Sampaio disse...

Muito lindo! Gosto! Aliás gosto sempre dos seus poemas. Têm imagens muito belas e as palavras são sempre muito bem encadeadas.
Muito obrigada!

Teté M. Jorge disse...

Me encantaram os seus versos, especialmente esse trecho:
"...Não havia versos sem-abrigo..."

Um beijo carinhoso.

Sempre disse...

Que os atalhos deixem de ser sinuosos e as portas se escancarem de par em par. Bj com carinho ;)

Ester disse...

Lídia,

Agradeço a visita e generosas palavras!
Gostei muito do que vi e li aqui,
Tua sensibilidade é uma fragância rara..

voltarei com certeza!

abraços poéticos!

Olga disse...

Belíssimo!

lupuscanissignatus disse...

peixe

voador


[sem
escamas]

Unknown disse...

Hoje, por me ter lembrado deste poema, resolvi copiá-lo inteiramente e incluí-lo no meu blogue.
Espero que a minha lembrança de transmitir aos meus amigos algo de bom que ser faz neste país, não desmereça a sua aprovação.

Assim; vidé:
»»http://joe-ant.blogspot.com/2011/07/caminhos-escolhidos-ao-acaso.html

Sempre a merecer toda a minha consideração por essas "searas" ao vento.