
Voltas assim, serenamente,
Poesia
Como se dançasses descalça
Sobre o musgo do jardim.
Fada vestida
de véus feitos de seda e cetim.
Cuidas-me débil, Poesia?
Compadeces-te de mim
E não trazes ao poema
O grito dos que têm fome
A raiva dos que matam
A sede dos que secam
E outros males afins.
Não trazes ao poema
A água turva das poças
Os limos mortos, lodaçais
Onde se erguem cidades, imundices
Gentes tristes sem rumo, sem cais
Não trazes ao poema
As ciladas nocturnas simuladas
Em rendas e entremeios
Nem o uivo dos temporais
A povoar devaneios.
Se não tiveres para me dar,
Poesia
A estrela que te pedi
Ensina-me a tecer silêncios
Nas coisas ocas de ti.
Lídia Borges
43 comentários:
Poesia
A estrela que te pedi
Ensina-me a tecer silêncios
Nas coisas ocas de ti.
Beijo d'anjo
Esse fez-me chorar.
Beijo
...e a poesia
assim confrontada
de forma tão bela,
tão directa
corou, envergonhada
curvou-se docemente
e abraçou o poeta
Lídia, tão belo este tecer de "silêncios nas coisas ocas de ti"... Se a poesia se faz presente naquilo em que nossos olhos se detêm, o poema grita mais forte, é missiva, é alerta, é pedra nos lamaçais que, caindo, ilumina, e, iluminando nos faz melhores, mais gente.
Lídia, a poesia chega a si, não porque seja débil, mas porque a sua alma tem a suavidade do musgo do jardim e a força de rio que, transbordando das margens, as torna fecundas, de aluvião. E fada seja, se assim chega.
Grata, Lídia, por este momento especial
Mel
Lídia,
Após ler e reler este poema, e emocionada pela grandeza do poema, não se queda a poesia, não se cale o poema nunca.
Obrigada por um momento, que vou guardar com carinho.
bj
Quem nos dera se toda poesia pudesse ser assim, como uma bailarina dançando suave aos nossos olhos. Lindo, Lídia!
Beijo.
Precioso!!!
Mil saludos
isso de falar com a poesia através do poema
ficou muito muito bom
e bonito!
beijos.
estos versos de poesia son muy bonitos! felicitaciones y un saludo!
Como entendo esta conversa!
Alguns poetas conseguem falar do feio tão lindamente.
beijos
Gostei dessa conversa íntima com seus versos... você e a poesia se encontrando.
Beijos.
DESARRUFO
Há dias em que o verbo não sai,
além de gralhas, brancas e azia.
Ai!
O mal que me faz a poesia…
Outros, em que a vida é modorra
de tão madrasta e vazia.
Porra!
Vem, era a brincar… poesia!
Beijinho
João
Oi Lídia (belo nome) obrigado pelo comentário a respeito de meu poeminha...
Passe em meu blog e veja mais alguns.
Querida amiga Lídia.
Gostei do teu poema, aliás, não é novidade, pois tu escreves com elegância e sensibilidade.
Realmente, amiga, o poeta sendo a ouvidoria e os olhos das coisas a sua volta, não consegue se furtar de não falar das mazelas do mundo.
Um grande abraço.
nossa, que supremacia, quando eu crescer, quero escrever como você, maravilhosamente bem. bjs querida
Lidia,
Belo este teu poema! Para ler, reler, e sentir!
Beijos,
AL
As palavras são lindas quando conjugadas poéticamente. Elas dão força a sentires que, mesmo tristes, convidam o sorriso, e o respirar bem fundo, enchendo o peito com a leveza de um sentir-me bem... depois de as ler.
Tens muito mais que poesia para dar...
Tens sensibilidade e carinho. Estou me referindo às palavras que chegaram aqui num momento difícil num dia desses. Obrigado pela empatia e solidariedade.
Olá Lídia, gostei da tua visita e do coment.Obrigado!
Lindo este teu poema!
Bjs
Lídia
E são tantos os silêncios, tecidos na poesia que te habita. Uma poesia que adoça o grito, mas que o liberta nas voltas serenas das metáforas. Um suave dança da tua alma.
Lindo... Lindo, este poema!!
Um beijinho
o que não nos traz a poesia certamente nos traz doloridas prosas
Uauu qua bela poesia.
A Poesia é um alvoroço no teu coração...pegas nos sinais, entranças rosas e cravos formando a estrela que pediste e ainda nos silêncios das coisas ocas...o Poema nasce grande e magestoso!
belo...como sempre!
beijo
Graça
Quanta harmonia entre pelavras e imagem!
Lídia,
Vim hoje te dar um beijo especial e agradecer por vc fazer parte da minha historia, tem um selinho para você lá no Canto.
"Se não tiveres para me dar,
Poesia
A estrela que te pedi
Ensina-me a tecer silêncios
Nas coisas ocas de ti."
Parabéns minha amiga um dos seus mais belos poemas .
Beijinhos
Nem sempre a poesia se nos permite inteira. Nem mesmo quando nos é tão intensa.
Um beijinho, Lídia
Tua poesia é poeticamente perfeita Lídia.
Ah, quando a poesia não nos abraça sentimos um ponto de vazio oscilando em nós, é preciso que ela nos dê um pouco do que damos a ela...
Abraços e ótimo fim de semana.
E a poesia assim de forma tão bela torna a passagem por aqui num momento especial, quase de encantamento! ADOREI.
Beijinhos
Lidia
À muito que a acompanho, embora não comente, tenho por hábito vir dar uma olhadela sempre, mesmo antes de me fazer sua seguidora,
porque comentar poesia é uma das coisas dificeis para mim, ou se gosta ou não, no entanto tudo quanto tenho lido aqui tenho gostado demais.
Bem-haja
Beijinho
Cara Lídia,
belo poema!
abs
esse final me pegou de jeito, atordoa-me de beleza
beijo
.
.
. consagra.se por ora a palavra tanta . ode fulcral onde a poesia [esta] é fulgor .
.
. sendo acto de amor . ir.reparavel.mente belo .
.
.
estão lindos, Lídia.
Mts parabéns!!!
bjs
Lídia, que lindo!
Vc conseguiu através de recursos semânticos e estilísticos, bem como aliterações e assonâncias, dar movimento ao poema, assim como uma bailarina. E é possível um rodopio em cada verso.
Uma beleza! Fantástico!
Não conhecia seu Blog, e agora já faço parte. Obrigado por partilhar as maravilhas por você vividas!
Bj
Alexandre Pedro
http://carceredoser.blogspot.com/
Tanto que se diz no silêncio!
Querida Lídia, belo poema!
É sempre bom visitar-te
Beijo
Boa semana
Vim reler-te...desejar-te um bom fim de semana e deixar um beijo!
AL
Ao dia sucede-se a noite,
à luz o negrume,
ao amor ou amizade o ódio,
a distracção ou a indiferença,
à Quaresma das Cinzas o explodir da cor e da vida na Páscoa,
ao cinzento chuvoso, nublado e de neve do inverno o verde e a claridade suave da Primavera.
Ao verde multicolor da estação quente, por vezes com súbitos e relampejantes aguaceiros segue-se o cinzento sombrio da estação fria e do cacimbo.
A "mim" suceder-se-á a minha sombra!
Minha querida Lídia
Simplesmente sublime este poema.
Se não tiveres para me dar,
Poesia
A estrela que te pedi
Ensina-me a tecer silêncios
Nas coisas ocas de ti.
Maravilhoso...sem palavras para dizer mais.
Beijinho
Sonhadora
Lídia,
Por qualquer razão esta postagem passou-me despercebida. Imperdoável, pois o poema é grandioso.
Beijo :)
O texto está muito bom, mas a parte final está sensacional!!
[]s
lindo este rendilhado de palavras...um silêncio feito no tear das emoções...
brisas mansas para ti***
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