quarta-feira, 23 de março de 2011

De novo


De novo as aves alegremente
em voos cruzados no meu peito
a fazerem ninhos no calor dos meus braços
repletos de seiva e de promessas verdes.

A beberem nas fontes que me brotam das mãos
e a pendurarem-me cantigas nas orelhas
como se fossem brincos de princesa
na brandura de infâncias distantes.

De novo o vento a empurrar os barcos
nas águas que correm dentro dos espelhos
e reflectem a luz
na lisura dos rostos de novas madrugadas

As flores, o inebriamento da cor e do perfume.
E o corpo a despir-se
do torpor dos invernos rugosos.
As mãos a pedirem o toque da terra e a terra sedenta
dos afagos das mãos, da linfa no interior dos dedos.
Juntas, as mãos e a terra saberão ser esperança e pão.

De novo na pele a ânsia febril das horas
em que a primavera abre de par em par
as portas do tempo
e, ciclicamente, os homens rejuvenescem.

Lídia Borges

25 comentários:

Sempre disse...

Hummm...respira-se primavera, alento, voos. Soube tão bem este rejuvenescer de alegria. Obrigada. Beijinhos primaveris ;)

Anónimo disse...

Bom poder transitar pelas estações e estar sempre a rejuvenescer.

Beijo!

Celso Mendes disse...

Até por não termos uma separação tão nítida das estações onde moro, fico até com um tantinho de inveja de teu texto...rs Mas estamos começando a nos refrescar de um verão escaldante com um outono não tão diferente ainda.

Lindo poema!

beijo.

Onde Pousam as Borboletas disse...

Maravilhoso! Um belíssimo texto. Parabéns!!

Ótima noite!

DeahCristina.

Victor Gil disse...

Minha boa amiga.
As aves fazem ninhos no calor dos teus braços, vão beber água nas fontes que brotam deles, para depois irem pendurar cantigas nas orelhas como se fossem de princesa. Seria bom assim, os homens rejuvenescerem.
Adorei.
Beijos amiga.
Victor Gil

marlene edir severino disse...

Lídia,

A nova estação florindo a natureza destes teu lado do Atlântico e esta, em ti, bela, intrínseca, brotando em cheiros e cores...

Um afetuoso abraço

Marlene

Unknown disse...

A Primavera abre as portas do tempo e acontecem grandes transformações.
O seu poema está ricamente vestido.
Lê-lo é crescer com as asas do tempo da Primavera.

Manuela Freitas disse...

Como eu Lídia também estava a precisar da Primavera!...
Gostei muito do teu poema e da música que escolhes-te que enche o peito cheio de fervor!
Beijinhos,
Manuela

Flor de Jasmim disse...

Lidia
Poema com imensa ternura. Seria bom que nós homens rejuvenescessemos.
Beijimho

P. P. disse...

Centralizo a minha atenção na fotografia. Como me encantam as árvores... O quanto me seduzem!

Um abraço do Paulo

Sandra Subtil disse...

Lídia, que poema maravilhoso, que bem cantaste a Primavera, a vida afinal.
Beijinho

Mar Arável disse...

Primaveras em todas as estações

Bjs

Catarina disse...

Que bom rejuvenescer!

Mel de Carvalho disse...

Na novidade de todos os passos de uma valsa de ventos e de dedos sobre as searas do tempo, a sua poesia, Lídia, apela a que me sente na pedra d'ara e a beba como água límpida que nos purifica.

Gosto, tanto, mas tanto de aqui vir na madrugada dos meus dias ...

Beijo e a minha gratidão, Lídia
Mel

João de Sousa Teixeira disse...

Gosto da forma como cria as metáforas e as submete à sua poesia. Fez-me lembrar um poema em Corpo de Poema (livro). Não sei se conhece; não sei se concorda. Eu mostro:
As Tardes

Nunca as tomei a sério:
lambusado de poemas, apertava com força
e descuido o sexo das borboletas moribundas

e subia pelas cordas estendidas
na sombra às cerejeiras que suplicavam
o contacto das minhas pernas nuas
entrelaçadas na frescura seca
dos seus ramos meigos

descia
ainda
abraçado
ao tronco
farto, meio sujo
com os lábios tingidos de vermelho
e dois cachos de poemas
pendurados nas orelhas.

Beijinho
João

João de Sousa Teixeira disse...

...e, vistas as coisas como deve ser, "lambuzado" é com um "z"... :)

joão

Janaina Cruz disse...

Há um tempo em que as horas nadam pra trás e rejuvenescemos, nem que esse acontecimento seja apenas interior, isso por sí só já nos basta...

Tua poesia é linda Lídia!!

Abraços

Unknown disse...

alvoreceres, a vida escorre,


beijo

Perola disse...

Apesar de gostar muito do outono por ser uma estação bastante aconchegante, a primavera tem um tom natural de cores e transborda cenários de alegrias constântes.
Amei seu poema amada.
Parabéns pela beleza das palavras.
Beijo grande.

Maria Campos disse...

"...e, ciclicamente, os homens rejuvenescem."

Mesmo, Lídia !
Lindo poema, que me encantou.
Gosto de rebolar nas searas.

Um abraço primaveril, Lídia !

Unknown disse...

Que a tua Primavera seja linda como o teu poema.

Beijo.

Dilmar Gomes disse...

Lindo poema amiga Lidia, para cantar a mais bela das estações. Fico com uma saudade danada de sentir a primavera, mas terei de esperá-la, pois aqui no trópico, entramos no outono.
Um grande abraço.

Graça disse...

Na dança dos dias claros, uma primavera de palavras... belas, como só tu sabes fazer florir.


Beijo de boa noite, Lídia.

Mª João C.Martins disse...

"Juntas, as mãos e a terra saberão ser esperança e pão."

Há uma espécie de serenidade nesta certeza. Algo que no ciclo próprio da vida, nos confirma que assim será, eternamente. Algo em que interiormente se acredita, quando se vive a agradecer, sol e chuva da mesma forma.

Um beijinho Lídia

Ana Matias disse...

Oi, Lídia!
Estou a entrevistar poetas e poetisas para futuramente postar em meu blogue e divulgar estes trabalhos, gostaria que tu participasse! Me envie seu e-mail anacristinapm@gmail.com
Abraços!