terça-feira, 5 de abril de 2011

Da distância


Não me perguntes por mim.
Não me perguntes porque busco ainda as tuas mãos
no regaço da noite
ou porque sigo os teus passos no ritmo apressado dos dias.
Não me perguntes desta dor, deste cansaço,
de tristezas ou alegrias.

Que sei eu da tua dor, do teu cansaço
dos teus triunfos ou fracassos
dos teus anseios e medos?
Que mundos insondáveis ocultas
em muralhas de silêncio
que não ousas desvendar?

Não me perguntes por mim.
Não saberia dizer da febre destes combates
que travo p’ra me vencer.

Lídia Borges

25 comentários:

João de Sousa Teixeira disse...

INCONSEQUENTE

Só com o ver o trilho, a terra batida,
já o meu olhar progride muito além
do que ao ser humano é permitido,
que é caminhar quando o olhar vem

ao meu encontro e o caminho feito.
Só me abalança o estar presente
longe de estar perto para o efeito
- inexplicavelmente ausente –

se o resultado for onde agora estou
e não onde me leva este caminhar.
Melhor é não ter para onde ir ou
seguir o rasto vagabundo do olhar.

Beijinho
João

Anónimo disse...

Nossa! Forte, muito bom! Adorei!

Beijo.

Unknown disse...

Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro.


Beijo.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Não me perguntes por mim.
Não saberia dizer da febre destes combates
que travo p’ra me vencer.

Quantas vezes não nos encontramos...perdemo-nos de nós com o passar do tempo.
Adorei como sempre o poema, e a imagem fez-me lembrar o meu Alentejo.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Sempre disse...

Em cada linha me encontro, desencontro, revejo e vejo, nada melhor para descrever este momento. Os meus sinceros Parabéns. Beijinhos ;)

BF disse...

Um lindo poema com tantas questões esperando respostas. Adorei

Um beijo
BF

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Palavras de cansaço, anseio, medos, palavras de sofrimento. Mas a vida renova-se a cada manhã e a alegria está na luta.
Beijinho

P.S. Amiga tem mascotinha no meu cantinho

P. P. disse...

Como é hábito, a fantástica intersecção entre as palavras, a imagem e o alimento da alma.
Abraço.

Eva Gonçalves disse...

Belíssimo poema Lídia. São os eternos combates que travamos para nos vencermos...
Beijo

Lilá(s) disse...

Como sempre um poema rico de conteúdo!
Bjs

Graça Sampaio disse...

Que lindo! Como me revejo nessas palavras. Como se consegue escrever o que se sente e, mais, o que os outros sentem?
Muito lindo mesmo!

Anónimo disse...

Para quê me perguntares de mim se vivo por ti e para ti...

O Puma disse...

A poesia não serve para salvar o mundo

mas serve para inquietar

para nos interrogar

Bj

lis disse...

" ... me abrace de novo
te abraço,outra vez"

não me perguntes porquê.

É lindo e intenso Lídia
voce arrasa sempre , parabéns.

Engenholiterarte disse...

A dor de uma ausência é sempre "tinta" o bastante para a alma juntar belas palavras e criar um lindo poema...



O ENGENHOLITERARTE tem um Desafio Literário para você: deixe-nos aprender um pouco com a sua experiência.
Beijos!

Graça Pires disse...

Um poema muito belo e forte. Deu-me muito parazer passar por aqui.
Um beijo.

Primeira Pessoa disse...

a peleja contra nós próprios jamais indica um inequívoco vencedor.

ou um derrotado.

abraço grande do

r.

Dilmar Gomes disse...

Lindo o eu poema, amiga Lídia.
Um grande abraço.

rosa-branca disse...

Olá Lídia, a luta sempre constante com o nosso eu. Passamos a vida a tentar descobrir, se somos vencedores da nossa luta, ou se fracassámos. Adorei o seu poema. Beijos com carinho

Mel de Carvalho disse...

Lídia, ouso dizer que é nos combates que travamos a cada instante para nos vencermos que crescemos. A luta é interna e por isso, quiçá mais dolorosa. Mas na supressão dos minutos de lágrimas e pranto, a Lídia é
tanto, mas tanto.
Bem-haja
Beijo com a minha enorme gratidão
Mel

FlorAlpina disse...

Encontro-me algures perdida nas suas palavras...
Pergunto por mim...

Belissimo!

Bjs dos Alpes

Perola disse...

Um poema muito belo.
Pecisamos de tempo para nos encontrar,e neste tempo procuramos respostas que muitas vezes bloqueiam o nosso viver.
Compreender!!!esta fora da minha alçada.
Beijos minha flor.

A.S. disse...

Lidia,

Senti a angústia das silabas, as palavras gélidas e a incerteza das horas!

Um abraço!
AL

Mª João C.Martins disse...

Lídia

São tantas as batalhas travadas no silêncio mais íntimo de nós, tantos os avanços e recuos à força dos impulsos, dos afectos e dos reflexos do mundo que em cada um, existe uma flor de lotus pronta a emergir a qualquer momento. Uma flor diferente de qualquer outra, cuja força do caule e a cor das pétalas se acentuam com o tempo e revelam de nós, passo a passo, o detalhe singular que somos capazes de ser, mesmo sem disso termos verdadeira consciência.

Lindo este poema! Com a qualidade que te é habitual.

Um beijinho

Mateus Medina disse...

Cada dia exploro um pouquinho desse "cantinho" que descobri. Resultado: Cada dia descubro mais um pérola.

Parabéns.