terça-feira, 17 de maio de 2011

cerejas


Os silêncios enchem-se de ruídos
Os verbos irrequietos  trocam de lugar
Os adjectivos  culpam os nomes
Evadidos dos objectos que nomeavam
A sintaxe rodopiante ensandece
Na busca da genealogia do poema

Alheio este detém-se
No sabor carmim das cerejas
Sob o brilho resplandecente
De uma manhã cristalina de Maio

30 comentários:

Eva Gonçalves disse...

E como resistir-lhes? Se atrás de uma, vem outra.. tal como os versos de um poema, mesmo que este se deixe distraír pelo prazer que detém na boca...
Adoro cerejas... mas ainda estão muito caras!!:)

FlorAlpina disse...

Palavras que fazem crescer água na boca!

Bjs dos Alpes

João de Sousa Teixeira disse...

E eis senão quando, a sedução das cerejas.
Vermelhas, em carne viva…
É como digo: “lambuzado de cerejas”
a escrita pode esperar. Os pontos e as vírgulas
estão prontos na cerejeira
deste maduro Maio

Beijinho
João

Rosa dos Ventos disse...

Tempo de cerejas no meu quintal, tempo de poesia aqui e sempre!
Lindo!

Abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

Seus versos são como cerejas
maduras
Pega-se num
esperando que outros venham atrás
Cacho airoso e entrelaçado
com sabor a poema
acentuado em Maio

Sandra Subtil disse...

Post apetitoso e suculento, este!
Beijinho

lis disse...

Numa manhã com nevoeiros baixos e chuva internitente suas palvras chegam-me como uma janela "resplandecente" , muito especial .
É o inverno e o verão que vao descortinando tão logo maio vá embora.Dois extremos que se tocam ,sempre , a qualquer momento do dia.
Obrigada Lídia que nossos silêncios sejam ruidosos e os substantivos nomeiem os bons sentimentos.
delicada poesia como são as apetitosas cerejas.
um bom dia!
abraço

Unknown disse...

ao poema contenta o sabor e quem sabe a sempre iridescente melodia do silencio,


beijo

Mona Lisa disse...

Olá

A beleza de uma manhã enriquecida pelo encanto e brilho das cerejas tb me enleva.

Parabéns pelo poema.


Bjs.

Dilmar Gomes disse...

Querida amiga Lídia, que lindeza! Belo poema ornamentado por essas cerejas maravilhosas.
Um grande abraço.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Enquanto o mundo corre num ensurdecedor ruído, a natureza, imune, desenvolve sabores, perfumes e cores luminosas. Felizes os que conseguem ver.
abraço
oa.s

Sândrio cândido. disse...

e como encontrar a geologia do poema em um espaço tão curto e um tempo tão escasso como o agora
beijos

Flor de Jasmim disse...

Lídia
"As conversas são como as cerejas" assim diz o velho ditado...aqui são os seus belos poemas, um atraz do outro, qual deles o melhor. Adorei minha amiga. Também adoro cerejas vermelhas vermelhas e doces.
Beijonho

Anónimo disse...

E o poema quer só deleite.

Beijo!

Mª Jose M. disse...

Nas cerejas, o poema demora-se, feito de memórias!
... quando,vaidosa, usava brincos colocados a jeito...
... quando as escolhia e saboreava lentamente!

Daqui, uma mão cheia de cerejas :)

Beijinho, MJ

Celso Mendes disse...

Todo lirismo que se cabe usar em manhãs iluminadas ao gosto de cerejas...

Encantador, amiga!

Beijo.

Unknown disse...

Lábios de mulher
um aroma fresco
rubro da cereja madura.


Beijo meu

Unknown disse...

Beleza de poema onde a sintaxe faz sentido.
O sujeito feito de silêncio, o verbo que corre caracterizando-se pelos adjectivos.
As palavras encadeiam-se tal como as cerejas vermelhas, vivas e suculentas.

lupuscanissignatus disse...

substantivo

fruto


[o que brota
das mãos]



*beijo*

lupuscanissignatus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lilá(s) disse...

Adoro cerejas, com poesia o apetite duplica!
Bjs

Jorge disse...

As palavras são como as cerejas. Cada palavra deste poema é... uma saborosa cereja.
Bj
J

Graça Pereira disse...

E o poema é a cereja no topo da inspiração!
A geologia do poema? É esta sedução de prazer a escorrer pelos cantos da boca...
Beijo
Graça

Mateus Medina disse...

Simplesmente delicioso... como a cereja =)

Mel de Carvalho disse...

Lídia, quando era menina, inventava uma princesa que era eu, colocava os meus brincos de cerejas e imaginava um reino onde, atendendo aos meus pedidos, o rei (Pai do Céu), tornava todas as meninas como eu - princesas engalanadas de cerejas. Sem fome, abençoadas.

O vermelho ainda borda os meus sonhos a par do verde... nas papoilas e searas do meu Ribatejo, nas cores da minha bandeira, e, na sua poesia.

O quanto gosto de a ler, Lídia? Muito e sempre!
Bem-haja
Mel

A.S. disse...

Não poderia haver Maio sem o sabor carmim e sensual das cerejas!

Belo o teu poema Lidia! Sabes como adoro ler-te!


Beijos,
AL

Anónimo disse...

Lindíssimo poema.
De repente viajei ao passado aonde bateu a saudade do tempo de menina, aonde pega a cereja do pé.
tenha um bom final de tarde.
Abraço
Maria Alice

Mar Arável disse...

... e assim

apesar das palavras

pendentes e vermelhos
os frutos amadurecem na boca
de quem se ama

Mª João C.Martins disse...

As cores de Maio a aliciarem o poema, a acariciar os lábios de quem ama, incondicionalmente, as palavras!

Tão bonito...

Um beijinho, Lídia.

Fabrício Brandão disse...

Versos sinestésicos que atraem pela atitude sublime de viver.

Um prazer conhecer teu espaço, Lídia!

Beijos