Os silêncios enchem-se de ruídos
Os verbos irrequietos trocam de lugar
Os adjectivos culpam os nomes
Evadidos dos objectos que nomeavam
A sintaxe rodopiante ensandece
Na busca da genealogia do poema
Alheio este detém-se
No sabor carmim das cerejas
Sob o brilho resplandecente
De uma manhã cristalina de Maio

30 comentários:
E como resistir-lhes? Se atrás de uma, vem outra.. tal como os versos de um poema, mesmo que este se deixe distraír pelo prazer que detém na boca...
Adoro cerejas... mas ainda estão muito caras!!:)
Palavras que fazem crescer água na boca!
Bjs dos Alpes
E eis senão quando, a sedução das cerejas.
Vermelhas, em carne viva…
É como digo: “lambuzado de cerejas”
a escrita pode esperar. Os pontos e as vírgulas
estão prontos na cerejeira
deste maduro Maio
Beijinho
João
Tempo de cerejas no meu quintal, tempo de poesia aqui e sempre!
Lindo!
Abraço
Seus versos são como cerejas
maduras
Pega-se num
esperando que outros venham atrás
Cacho airoso e entrelaçado
com sabor a poema
acentuado em Maio
Post apetitoso e suculento, este!
Beijinho
Numa manhã com nevoeiros baixos e chuva internitente suas palvras chegam-me como uma janela "resplandecente" , muito especial .
É o inverno e o verão que vao descortinando tão logo maio vá embora.Dois extremos que se tocam ,sempre , a qualquer momento do dia.
Obrigada Lídia que nossos silêncios sejam ruidosos e os substantivos nomeiem os bons sentimentos.
delicada poesia como são as apetitosas cerejas.
um bom dia!
abraço
ao poema contenta o sabor e quem sabe a sempre iridescente melodia do silencio,
beijo
Olá
A beleza de uma manhã enriquecida pelo encanto e brilho das cerejas tb me enleva.
Parabéns pelo poema.
Bjs.
Querida amiga Lídia, que lindeza! Belo poema ornamentado por essas cerejas maravilhosas.
Um grande abraço.
Enquanto o mundo corre num ensurdecedor ruído, a natureza, imune, desenvolve sabores, perfumes e cores luminosas. Felizes os que conseguem ver.
abraço
oa.s
e como encontrar a geologia do poema em um espaço tão curto e um tempo tão escasso como o agora
beijos
Lídia
"As conversas são como as cerejas" assim diz o velho ditado...aqui são os seus belos poemas, um atraz do outro, qual deles o melhor. Adorei minha amiga. Também adoro cerejas vermelhas vermelhas e doces.
Beijonho
E o poema quer só deleite.
Beijo!
Nas cerejas, o poema demora-se, feito de memórias!
... quando,vaidosa, usava brincos colocados a jeito...
... quando as escolhia e saboreava lentamente!
Daqui, uma mão cheia de cerejas :)
Beijinho, MJ
Todo lirismo que se cabe usar em manhãs iluminadas ao gosto de cerejas...
Encantador, amiga!
Beijo.
Lábios de mulher
um aroma fresco
rubro da cereja madura.
Beijo meu
Beleza de poema onde a sintaxe faz sentido.
O sujeito feito de silêncio, o verbo que corre caracterizando-se pelos adjectivos.
As palavras encadeiam-se tal como as cerejas vermelhas, vivas e suculentas.
substantivo
fruto
[o que brota
das mãos]
*beijo*
Adoro cerejas, com poesia o apetite duplica!
Bjs
As palavras são como as cerejas. Cada palavra deste poema é... uma saborosa cereja.
Bj
J
E o poema é a cereja no topo da inspiração!
A geologia do poema? É esta sedução de prazer a escorrer pelos cantos da boca...
Beijo
Graça
Simplesmente delicioso... como a cereja =)
Lídia, quando era menina, inventava uma princesa que era eu, colocava os meus brincos de cerejas e imaginava um reino onde, atendendo aos meus pedidos, o rei (Pai do Céu), tornava todas as meninas como eu - princesas engalanadas de cerejas. Sem fome, abençoadas.
O vermelho ainda borda os meus sonhos a par do verde... nas papoilas e searas do meu Ribatejo, nas cores da minha bandeira, e, na sua poesia.
O quanto gosto de a ler, Lídia? Muito e sempre!
Bem-haja
Mel
Não poderia haver Maio sem o sabor carmim e sensual das cerejas!
Belo o teu poema Lidia! Sabes como adoro ler-te!
Beijos,
AL
Lindíssimo poema.
De repente viajei ao passado aonde bateu a saudade do tempo de menina, aonde pega a cereja do pé.
tenha um bom final de tarde.
Abraço
Maria Alice
... e assim
apesar das palavras
pendentes e vermelhos
os frutos amadurecem na boca
de quem se ama
As cores de Maio a aliciarem o poema, a acariciar os lábios de quem ama, incondicionalmente, as palavras!
Tão bonito...
Um beijinho, Lídia.
Versos sinestésicos que atraem pela atitude sublime de viver.
Um prazer conhecer teu espaço, Lídia!
Beijos
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