segunda-feira, 30 de maio de 2011

E depois...


E depois no fundo da taça
Mais nada
A cicuta vertida arde ainda na boca
E as palavras réprobas em chama
Extinguem-se na raiz rouca da voz

Um mutismo dolente
Vem cercar as horas todas do dia

12 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Não, isso não
Não o silêncio
Não o mutismo
Não essa omissão
Quem me rasga o medo com o grito?
Quem me dá esperança?
Quem me sussurra baixinho
e me desperta o coração aflito?

Quem me faz acreditar a toda a hora
que é no poema que o futuro mora?

Valquíria Calado disse...

Beber algumas palavras... venenos pra alma.


Boa semana, bjos.

Catarina disse...

Gostei. Abraco. : )

João de Sousa Teixeira disse...

Há-de dizer-me que não há meio de levar as coisas a sério... Na verdade, penso que há um ligeiro desacerto entre mim e o meu B.I.
Quando li este seu poema fiquei incomodado... 10 segundos. Depois lembrei-me deste (julgo que conhece)apesar de lhe ter chamado versos lampos.
E tudo isto para lhe pedir que não se "cale"!

VERSOS LAMPOS

Tenho assistido à vida com alguma bonomia:
ora cavalgando versos, ora eles a mim,
– que uma coisa é o poema e outra a poesia –
antes que o diabo as teça com outro fim.

Há coisas bem piores, bem mais escusadas,
que esta de lidar com palavras nuas e vesti-las;
pior seria abandoná-las ou deixa-las encravadas
na garganta, sem mais remédio que cuspi-las.

Mas para dizer verdade, uma vez que seja,
confesso que há duas coisas bem diferentes:
uma é a mágoa de um verso, se lacrimeja,
diferente, é o suplício de uma dor de dentes.

Beijinho
João

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, esses momentos em que o ser fica com a sensação do gosto da cicuta são êfemeros, pois tudo é transitório; nenhum mal é eterno. Ainda bem que seja assim! Tu concordas, amiga?
Um grande abraço.

Mateus Medina disse...

Mesmo nas descrições das coisas mais tristes, há sempre uma sensibilidade única naquilo que escreves.

Continuo verdadeiramente admirado com cada coisa que leio por aqui.

bjos

Fernanda Ferreira - Ná disse...

O homem perdeu de vez a chance de usufruir do silêncio.
Agora e no fim, não pode haver mutismo.

Beijinho

Flor de Jasmim disse...

Lídia querida
Excelente!!! Adorei tuas palavras amiga.
Beijinho

Graça Pereira disse...

As palavras , ás vezes são amargas, porque ferem mas...antes a sua dor que o mutismo dolente!Hão-de erguer-se de novo, com a força do poema.
Beijo
Graça

chica disse...

Lindo e plenos de sensibilidade, embora melancólico! beijos,tudo de bom,chica

Anónimo disse...

Forte, de deixar a boca seca.
Gostei!

Beijo.

Mª João C.Martins disse...

Tão amarga é, a cinza das palavras coibidas, a fermentarem até serem magma.

Um beijo