domingo, 15 de maio de 2011

Fiama

«The day, my friends and all the things stay for me»
 Shakespeare, Henry V

Por vezes, o mundo cala-se.
Nos crepúsculos, sobretudo.
Há horas em que o olhar
se expande, alheio, e não estremece
ao ver a predadora gaivota
rasgar a presa, o último alimento 
do seu dia.

[...]

Fiama Hasse Pais Brandão in Cenas Vivas (2000:p.23)

14 comentários:

marlene edir severino disse...

Parece que as horas param
até mesmo a predadora gaivota
fica tão suave
a saciar a fome.

Um beijo!

Marlene

Mona Lisa disse...

Olá

Gosto dos crepúsculos...é neles que me encontro.

Bjs.

Rogério G.V. Pereira disse...

Dói-me esse silêncio
Poeta
A dor é tão grande
tão intensa e imensa
que me passa quase despercebido
neste momento
o risco de as gaivotas dizimarem
tudo o que lhes serve de sustento

Graça Pereira disse...

Há crepuscúlos que nos tornam alheios á própria vida...Há inquietações na alma que tornam apenas clarões tudo quanto nos rodeia...o olhar vai mais longe para lá das tintas que tingem o céu!
Beijo
Graça

Sândrio cândido. disse...

É este o momento em que a beleza nos absorve.

João de Sousa Teixeira disse...

BEIJA-FLOR

Quem por beija-flor
me tome,
saiba que o faço por amor,
não por fome.

Beijinho
João

João de Sousa Teixeira disse...

É mais ou menos assim um poema em Alegria Incompleta:

DA INFÂNCIA

Puxei do balão
foi ao ar
foi ao chão
- ai que o balão rebenta!

Puxei do balão
o balão subiu
saltou
… e rebentou!

Beijinho
João

Justine disse...

O poema é belíssimo (e a foto também)mas é preciso continuar a estremecer quando se vêem os predadores a rasgar a presa...

Unknown disse...

há horas de puro contemplar,


beijo

Dilmar Gomes disse...

Passando por aqui para apreciar a tua arte e para deixar o meu abraço.

Unknown disse...

Um poema em que o teu Crepúsculo exala cores.

Beijo meu.

Mateus Medina disse...

Concordo com o Assis, "há horas de puro contemplar".

Essa contemplação tanto pode ter uma conotação de "passividade negativa", em certos casos, como pode também significar, simplesmente, que algumas coisas seguem o curso que têm que seguir, naturalmente, e não há nada a fazer, a não ser contemplar, não sendo necessariamente algo ruim, como no caso da Gaivota, que ao rasgar a sua presa, faz apenas seguir o curso natural da vida...

Unknown disse...

Crepúsculo lento
A dor aumenta a vítima
Insensibilidade teima
Anestesia o olhar
Nas presas do tempo
Para outros suculento.

Lilá(s) disse...

São bons estes momentos de serenidade...
Bjs