domingo, 8 de maio de 2011

Secretamente

Pintura - Charnine

Os ouvidos podem até estranhar as palavras que te aquietam
Secretamente
mas o eco que dispersam é compassivo
e tem a alvura de um lírio raro
cujas pétalas sublimes   
se abrem sobre as raízes da água.
Intocáveis
Pousas  lentamente
cada gota transparente do teu entendimento
na luz declinada das horas
e cedes.

Fechas a porta em abandono
sabendo das limitações da lágrima na profusão das marés.
Talvez regresses num outro amanhecer
longe deste ser  imperfeito e anacrónico do agora.

Lídia Borges


27 comentários:

Branca disse...

Um momento belo de interiorização.
Música a condizer e imagem belíssima.
Fico ainda um pouco a ouvir e a reler.

Beijos.
Branca

Unknown disse...

alvura de lírio raro, flor resplandescente


beijo

Flor de Jasmim disse...

Lidia minha querida
Lindo!!! Não me é fácil comentar poemas, gosta-se ou não, poe esimplesmente. Mas posso dizer que adorei cada palavra que ele contém.
Beijinho

Rogério G.V. Pereira disse...

Sabes bem
Tu bem sabes
Que apesar dessas palavras
Não irei
Como ir
se sou esta árvore
à beira água plantada?
Onde a alma
nunca será vista
rendida
ou naufragada...

Virgínia do Carmo disse...

Sempre bom passar por aqui... Obrigada :)

Um beijinho

Teté M. Jorge disse...

Eu sempre passo e repasso o seu compasso... leio e releio para sentir o momento.
Adorei!

Boa semana, querida.
Um beijo afetuoso.

dade amorim disse...

Um anseio de beleza e lírio raro.

Beijo.

lis disse...

No secreto é compreensível que os sons se reproduzam e sequem as lágrimas.
A cada dia um amanhecer diferente.
Gosto Lídia , inspiração tocante.

abraços

João de Sousa Teixeira disse...

É tudo tão volátil, não é?
O poema está muito bem “tirado” da pintura.
Gosto disto:
“e tem a alvura de um lírio raro
cujas pétalas sublimes
se abrem sobre as raízes da água.
Intocáveis”
Beijinho
João

Mel de Carvalho disse...

"Na luz declinada das horas", Lídia, cedemos ao tempo que passa, ainda que sejam a firmeza das raízes a sustentar a árvore que borda os contornos do vento. E somos tempo no tempo ...


Lídia, aceite, sinceramente, o meu mais vivo apreço pelo que escreve e nos oferece.
Bem-haja, abraço
Mel

Celso Mendes disse...

Como a suavidade e o lirismo pode desprender tão bela melancolia? Poemas como este me deixam sem palavras para comentá-los. Prefiro sentir cada palavra desprendida que me adentra as pupilas.

Parabéns, poetisa! Muito bom te ler...

beijo.

Ricardo Valente disse...

Agora, que se explode.

Rolando Palma disse...

Suponho que este que agora aqui comenta... também não será o mesmo que amanhã - porventura - aqui retorne. A inconstância é a argamassa dos sonhos, e esse "ser imperfeito e anacrónico do agora" escreve também hoje... aquilo que amanhã será simplesmente uma água passada, um aroma empurrado pelo vento.

Tudo de bom para si,

Mateus Medina disse...

Normalmente, há partes "especiais" de um poema, que me agarram.

No caso desse, gostei especialmente desta:

"Talvez regresses num outro amanhecer
longe deste ser imperfeito e anacrónico do agora."

Pra variar, nos brinda com ótimas reflexões.

bjs

Mª João C.Martins disse...

Talvez regresse, gota transparente, depois de ser casulo dentro da raiz da água.
Talvez...

Diz-me sempre tanto o que escreves!!

Um beijinho

Mar Arável disse...

Há sonhos que não se vergam

Um belo poema

lupuscanissignatus disse...

mar

interior



[ilimitado
e
inimitável]

antonio ganhão disse...

As pétalas que guardamos serão sempre de flores raras.

Jorge Pimenta disse...

querida lídia,
há, por vezes, que ceder para, nas águas da aparente derrota, se poder renascer. quem ousa enjeitar uma metamorfose de quando em vez?
um beijinho!

Graça Pereira disse...

Na luz declinada das horas, deixo a minha lágrima que fará eco nas marés, acreditando num outro amanhecer!
Magnifíco, Poetisa!
Beijo
Graça

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

A beleza das palavras deixou-me sem elas...talvez renasçam num novo amanhecer.

Deixo um beijinho
Sonhadora

João Maria Ludugero disse...

Visite meu blog.
Se gostar, me siga.
Felicidades!
Abraços,
João
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MÁS ALLÁ DE LO QUE VES disse...

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TE ESPERO

UN ABRAZO!!!!

BF disse...

Tudo em sintonia palavras e imagem. Lindíssimo Post.

Um beijo

A.S. disse...

Lidia,

Um cada gota transparente cabe um universo!
Cabem todas as limitações da lágrima na profusão das marés.
Cabem todos os amanheceres ainda que sombrios...


Beijos!
AL

Lobodomar disse...

Bom dia.

Excelente poema. Ao mesmo tempo, leve e intrigante. Imprescindível que se espere o momento certo, a evolução inevitável, o novo 'eu' de cada um,... a seu tempo.

Parabéns, poeta.
Um abraço!

AC disse...

Que dizer, a não ser maravilhoso?
Gostei muito, Lídia!

Beijo :)