quinta-feira, 28 de julho de 2011

Partem silentes os barcos

                                                                                                                           Pintura: Magnus


Partem silentes os barcos
Do cais abandonado
Sob a inépcia dos olhos.

Por entre rastos de bruma
Sei-os a naufragar
Um a um no molhe salgado
De uma ilha sem mar.

Toda a aridez abrasiva do desânimo
Me vem à boca
Com a chegada dos primeiros
Lamentos na voz do vento.

Ameaçada, uma réstia de sol
Resvala lentamente
Pelo abrupto declive
De um sonho mau que se instala.

18 comentários:

Jorge disse...

Por vezes, colam-se as nuvens à água, o mar eleva-se e uma onda maior apanha os pequenos barcos de surpresa, naufragando com eles os sonhos dos pescadores...
Bj
J

João de Sousa Teixeira disse...

Disse-me o vento, que as marés embala,
os barcos acabam sempre por partir.
Quando chegam são coisa distinta:
uma praia azul ou um ramo de flores.
A maresia como lenço de cambraia...

Beijinho
João

Anónimo disse...

Pressentimentos... seu poema ecoou tristonho em meu coração que, no momento, luta com seus medos.
É lindo, mas triste.
Beijokas.

Artes e escritas disse...

Sonhe sonhos bonitos, todos merecem os sonhos bonitos. Um abraço, Yayá.

Daniela Delias disse...

É muito, muito lindo...
Bjos, carinho imenso!

dade amorim disse...

Nessa previsão de um sonho mau, o poema exibe sua beleza sombria, mas nem por isso menos atraente.
Beijos, Lídia.

Mateus Medina disse...

Por acaso, como ando a ler "As brumas de Avalon", foi impossível não lembrar da da ilha (sem mar?) que se esconde atrás das brumas...

Impecável, como sempre.

Beijos

manuela baptista disse...

não há mais tenebrosa ilha

do que aquela que não tem mar


"lacrimosa"

Mozart sabe do que a Lídia fala


um beijo

manuela

Dilmar Gomes disse...

Lindo poema, amiga Lídia. Gostei muito.
Um grande abraço. Desejo-te um lindo fim de semana.

Celso Mendes disse...

Um sonho, um pressentimento, imagens e as vozes do vento. E o mesmo mar que invoca a beleza traz o medo e aflição. Mas a nau sempre parte. O retorno não nos pertence.

Belíssimo, Lidia

beijo.

Smareis disse...

Um belo poema, um pouco nostálgico. mas gostei muito...

O sol fecha a cortina
do sonho
e a vida vai borbulhar
tal e qual como ela é.

Um beijo e ótimo fim de semana. Smareis

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Triste com uma beleza muito própria.
Beijinho bom fim de semana

Evanir disse...

Lindo poema amiga Lidia amo suas postagens .
Um feliz final de semana beijos com muito carinho,,Evanir,

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Este é um poema onde se ouve o silêncio das águas e a sombra dos naufrágios...

Mas não há sonho, onde não seja possível rasgar a bruma e pendurar a réstia de sol na beira de uma ilha por inventar. Os barcos voltarão, se mantivermos o brilho nos olhos.

Um beijinho e obrigada!

Joelma B. disse...

Passei por alguns textos teus... tudo muito tocante...

Maravilhoso mesmo ter vindo aqui!

Grata pelo sorriso deixado no Luz... volte sempre!

Beijinho encantado, Lídia!

Maria Rodrigues disse...

Quanta tristeza e amargura contida nas palavras neste lindíssimo poema. Por muito forte e devastadora que seja a tempestade que se abate sobre nós, nunca devemos deixar que ela ameace a réstia de sol que lá longe nos quer iluminar. A esperança deve ser a última a morrer.
Bom fim de semana amiga.
Beijinhos
Maria

Dario B. disse...

Bendita seara que avulta e inspira. Este teu poema lembrou-me de algo que escrevi, de como a imagem de uma santa, que sabendo que o filho não retorna, olha triste para a mãe que lhe acende uma vela. O mar inspira temores e mistério.

Virgínia do Carmo disse...

Um poema que nos naufraga nos olhos de tão belo.

Um beijinho, Lídia