Pintura: Magnus
Partem silentes os barcos
Do cais abandonado
Sob a inépcia dos olhos.
Por entre rastos de bruma
Sei-os a naufragar
Um a um no molhe salgado
De uma ilha sem mar.
Toda a aridez abrasiva do desânimo
Me vem à boca
Com a chegada dos primeiros
Lamentos na voz do vento.
Ameaçada, uma réstia de sol
Resvala lentamente
Pelo abrupto declive
De um sonho mau que se instala.

18 comentários:
Por vezes, colam-se as nuvens à água, o mar eleva-se e uma onda maior apanha os pequenos barcos de surpresa, naufragando com eles os sonhos dos pescadores...
Bj
J
Disse-me o vento, que as marés embala,
os barcos acabam sempre por partir.
Quando chegam são coisa distinta:
uma praia azul ou um ramo de flores.
A maresia como lenço de cambraia...
Beijinho
João
Pressentimentos... seu poema ecoou tristonho em meu coração que, no momento, luta com seus medos.
É lindo, mas triste.
Beijokas.
Sonhe sonhos bonitos, todos merecem os sonhos bonitos. Um abraço, Yayá.
É muito, muito lindo...
Bjos, carinho imenso!
Nessa previsão de um sonho mau, o poema exibe sua beleza sombria, mas nem por isso menos atraente.
Beijos, Lídia.
Por acaso, como ando a ler "As brumas de Avalon", foi impossível não lembrar da da ilha (sem mar?) que se esconde atrás das brumas...
Impecável, como sempre.
Beijos
não há mais tenebrosa ilha
do que aquela que não tem mar
"lacrimosa"
Mozart sabe do que a Lídia fala
um beijo
manuela
Lindo poema, amiga Lídia. Gostei muito.
Um grande abraço. Desejo-te um lindo fim de semana.
Um sonho, um pressentimento, imagens e as vozes do vento. E o mesmo mar que invoca a beleza traz o medo e aflição. Mas a nau sempre parte. O retorno não nos pertence.
Belíssimo, Lidia
beijo.
Um belo poema, um pouco nostálgico. mas gostei muito...
O sol fecha a cortina
do sonho
e a vida vai borbulhar
tal e qual como ela é.
Um beijo e ótimo fim de semana. Smareis
Lídia
Triste com uma beleza muito própria.
Beijinho bom fim de semana
Lindo poema amiga Lidia amo suas postagens .
Um feliz final de semana beijos com muito carinho,,Evanir,
Lídia
Este é um poema onde se ouve o silêncio das águas e a sombra dos naufrágios...
Mas não há sonho, onde não seja possível rasgar a bruma e pendurar a réstia de sol na beira de uma ilha por inventar. Os barcos voltarão, se mantivermos o brilho nos olhos.
Um beijinho e obrigada!
Passei por alguns textos teus... tudo muito tocante...
Maravilhoso mesmo ter vindo aqui!
Grata pelo sorriso deixado no Luz... volte sempre!
Beijinho encantado, Lídia!
Quanta tristeza e amargura contida nas palavras neste lindíssimo poema. Por muito forte e devastadora que seja a tempestade que se abate sobre nós, nunca devemos deixar que ela ameace a réstia de sol que lá longe nos quer iluminar. A esperança deve ser a última a morrer.
Bom fim de semana amiga.
Beijinhos
Maria
Bendita seara que avulta e inspira. Este teu poema lembrou-me de algo que escrevi, de como a imagem de uma santa, que sabendo que o filho não retorna, olha triste para a mãe que lhe acende uma vela. O mar inspira temores e mistério.
Um poema que nos naufraga nos olhos de tão belo.
Um beijinho, Lídia
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