quinta-feira, 18 de agosto de 2011

degredo

                                                                                                                           Pintura: Joachim Lehrer
apenas
sal disperso
o poema
laivos
de insanidade
apenas

barro
disforme
exilado
na placidez
das mãos

fragmentos
partículas
cinza e pranto
apenas

de que serve
a palavra
se ela é
degredo
eco
sem voz
a arder
na garganta

o poema
sal e pranto
apenas



20 comentários:

Jorge disse...

A poesia é isso... é o pranto, é o arrepio.
Bj
J

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Simplesmente lindo este poema.

O poema é um mergulho silencioso na alma...o sangue em combustão... a hemorragia da vida...as mãos frias esperando pelo tempo.

Deixo um beijinho
Sonhadora

lis disse...

Li um poeminha de Alice Ruiz que ensina a refletir sobre sal e pranto:
" o amargo foi já ter sido/troque já esse vestido/saia do sério deixe os critérios/siga todos os sentidos/ faça fazer sentido."
laivos de insanidade? rs
sim ,as palavras ardem Lídia em mim em nós.
um abraço grande

João de Sousa Teixeira disse...

Indigesto
como o sal da água

como uma ilha
musical
como um piano
à deriva

a poesia
pode esperar…

Beijinho
João

P. P. disse...

Curioso,
este poema fez-me pensar na ganância, no materialismo, na inveja...

Afinal, o que somos, o que nos rodeia para além do degredo?

EXCELENTE!

Meus parabéns.

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, achei linda a imagem do piano sobre o coreto dentro do mar encapelado. Então, no degredo, no exílio, ainda resta a esperança de uma música executada por um piano à deriva...
Um grande abraço. Tenhas um lindo dia, distante dos mares encapelados da vida.

Mateus Medina disse...

Muitas vezes o poema é muito mais do que a palavra "sem voz, a arder na garganta" =)

beijos

marlene edir severino disse...

Insanos, disformes fragmentos que engasgam
e vem o mar no rosto
e traduzidas palavras.

Sentido e belo teu poema, Lídia!

Abraço, querida!

Marlene

Rogério G.V. Pereira disse...

Não, poeta não
Não me conformo com esse destino do poema
Não me conformo
nem concordo
Um poema é um rio
de água doce
Torbulenta mas doce,
sem sal...
O pranto nele se dilui
e robustece o caudal...

Anónimo disse...

o poema é isso mesmo
sal e pranto
a arder na garganta.

muito belo.

Branca Pinto disse...

Olá Lídia,

Vim ver-te e devo estar confundida, parecia-me que já tinha comentado este post, mas provávelmente só o li.
Gostei deste poema de sal e pranto e gostarei sempre de te visitar.
Beijos

Graça Sampaio disse...

Muito bonito, este poema! Fluido, leve, dançante e, no entanto, tão cheio.

Muito, muito bonito!

Artes e escritas disse...

Se for só sal, deixa de ter tempero, gostei. Um abraço, Yayá.

Penélope disse...

Lídia, querida amiga, saudades de passar por aqui e ler teus suaves poemas...
Abraços

Evanir disse...

Nem somando todas as minhas dúvidas e incertezas
não deixarei de seguir sempre em frente.
Não é duvidas que trago no meu coração,
mais uma convicção de que vencerei todos os obstaculos
que hoje paresse não ter fim.
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem
perder o que temos de melhor em nós a fé
bem maior que temos em nossas vidas.
Hoje só quero deixar muito amor e carinho
pois você mereçe tudo de bom
nessa vida.
Estarei aqui sempre que Deus me permitir
você tem contribuido para que
a cada dia me sinta mais forte.
Creio posso viver melhor
e muito mais feliz com seu carinho.
Deus abençoe seu final de semana beijos no coração,Evanir.
Muita paz no coração.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Se queremos progredir, não devemos repetir a história,
mas fazer uma história nova.(Mahatma Ghandhi)

lupuscanissignatus disse...

salino

olhar


[o que
brota
do coral
da mão]



*beijo*

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Lindo muito suave!!! Adorei amiga.
Beijinho

Celso Mendes disse...

o poema serve para despertar os sentidos do leitor. como este degredo que expurga a palavra aprisionada.

belíssimo!

se me permite, lembrei-me deste:

FUGAZES

Escrevo mentiras verde esmeralda
sobre verdades ocultas.
Escrevo do falso brilho de estrelas cadentes
como rochas riscadas nos olhos
que passam
fugazes
vorazes
sedentas
de fogo
de cinzas
e pó.

(Celso Mendes)

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Belíssimo poema! Um abraço!

Mª João C.Martins disse...

Apenas...

porque precisamos do poema para depurar a alma.

Tão belo, Lídia!

Um beijinho