sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Gato


Com uma patita no ar
Estuda o chão.
A medo pousa-a delicadamente
Sobre a relva encharcada.

Uma lâmina luzente
Entre os arbustos
É o que procura
Mas há em cada movimento
Um traço de dúvida.

O sol após o dilúvio confunde-o
Clama por ele
Como verbo caído sobre o branco
de uma folha de papel
Clama pelo poeta.

Pequenas sementes
Donde pode brotar toda a terra.

20 comentários:

Celso Mendes disse...

singelas palavras-semente donde brotam toda poesia.

lindo, Lídia!

beijo, amiga.

Cristina Ferreira disse...

Esses gatinhos , são tão independentes e inteligentes, merecem belas homenagens como esta. um abraço.

Cris de Souza disse...

parece que os gatos estão em alta...

beijo, lídia!

João de Sousa Teixeira disse...

Devia haver alguém que, com mestria e muita sensibilidade fizesse um poema com um gato dentro: independente, astuto, capaz dum ronrom e, em certas ocasiões, com unhas e dentes.
Digamos que um poema com sete vidas…

Beijinho
João

Flor de Jasmim disse...

Lídia querida
Lindo demais!!! a imagem muito querida.
Bom fim de semana.
Beijinho e uma flor

Rosa dos Ventos disse...

Adoro gatos e este poema retrata-os tão bem...

Abraço

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

A insegurança do gato assemelha-se à da nossa vida.

Parabéns pelo soberbo poema.

Bjs.

lis disse...

Oi Lidia
Um delicado poema pra uma delicadeza felina.Dizestes bem: "estuda o chão"
antes de percorre-lo, há sempre esse "traço de dúvida".
Adorei, achei genial!
nem sempre posso comentar ,mas quando venho encharco-me de ternuras , de doces e delicadas emoções.
obrigada poeta minha rs

Isabel disse...

Muito lindo, e a imagem que acompanha o poema é uma beleza.
Bom fim-de-semana

Jorge Pimenta disse...

adoro gatos! coincidentemente, estas pequenas sementes de vida [e ócio :)] escolheram-nos as mãos sibilinas na simultaneidade do seu ronronar :)
terno, delicado e furtivo, como eles só.
beijinho!

A Palavra Mágica disse...

Lidia,

São sete vidas para viver e milhões de histórias para contar.

Beijos!
Alcides

quanto pesa o vento? disse...

que lindo!
tanta ternura nas tuas letras.
abraço.

Maria Rodrigues disse...

Que encanto de poema e de gatinho.
Bom Domingo e uma excelente semana.
Beijinhos
Maria

Unknown disse...

orientação dos gatos,

beijo

P. P. disse...

Adoro os meus 9 gatinhos e suas diferentes personalidades. Observá-los, mimá-los... traz tamanha paz!

Bjs

Graça Sampaio disse...

E como eles procuram a dita "lâmina luzente" depois das chuvas!

Adoro gatos - tão belos, tão diáfanos, tão herméticos como a própria Poesia.

Beijo

Sofá Amarelo disse...

Tudo isso o gato pode fazer porque ao ser gato é um ser mágico... pode mesmo fazer com que as sementes brotem da terra, por pequenas que sejam!

Dario B. disse...

Singelo e lindo. Lembrou-me o Pessoa: "Gato que brincas na rua, como se fosse na cama..." Um beijo, Lidia.

Mª João C.Martins disse...

E desta forma delicada, tal como o passo silencioso do gato na relva molhada, o poema surge, na genialidade de um olhar que se detém nas sementes pequenas.

Um beijinho

Sempre disse...

Uma simplicidade delicada de poesia feita pé ante pé(neste caso, pata ante pata)semente plantada esperando germinar. Beijinhos ;)