Pintura: Laper Robert
Há dias em que tudo dói
Hoje dói-me o mundo
Não o mundo-cão que esse não morde
O que me dói é o mundo-homem
A ocupar as voltas do sentir e do pensar
Dói-me o grito
Que morde sem dó
Esta mão que escreve
Dói-me o dizer banal
Acenado por hipócritas mãos
Para cegar e iludir
Dói-me a mentira
A raiva por vacinar
Dói-me a cabeça
A fome e a sede das casas
E a espera paciente do abutre e da morte
E o silêncio de Deus também me dói
A sua mudez, a sua ausência
Mas o que verdadeiramente me dói,
Hoje
É este terrível doer inútil e inglório
que me atiça e me queima.

23 comentários:
E dói, doi-te o peito e a alma. A dor dos poetas, das pessoas especiais, sublimes, elevadas, como só quem assim escreve.
Esse dia foi hoje!
Beijos querida
Da Ju
Pungente!
Tem dias que tudo dói, mas a desesperança e uma dor que persiste, consome os sonhos, turva o rio da vida e atrofia nossas asas.
Beijokas e um bom fds.
O novo layout ficou muito bom!
Bom gosto!
e é um incêndio. Cada dia...
Dói-me a dor que dizes
com as palavras certas
pesadas
exactas
de poema
Dor minha
que afinal
que é
exactamente
igual
verso a verso
ao teu cantar
Se irmanados estamos na dor
Irmanemo-nos também na esperança
As tuas mãos fecham-se e encontram-te a ti, fechada no solstício, no beco cuja saída ainda se não adivinhou...
Oi Lídia
Um grito que lhe salta da garganta e resvala em mim, provocando a mesma dor.
Quero muito pensar que há também caminhos que nao esses, que há futuro
e uma teimosa esperança.
Eu acredito ainda.Talvez sjea só uma vontade doida que o silencio de Deus se faça ouvir.
um abraço de domingo
A dor mostra a vida, você vive. Um abraço, Yayá.
Para minhas (dores) já não há remédio:
quando tudo já me doía, forcei a voz para que me doesse também.
Agora posso dizer serenamente
que a dor já não quer nada comigo: eu sou a dor
e não me dou qualquer importância.
Beijinho
João
Está doendo hoje, não doerá tanto amanhã.
E se atiça, interfere.
Teve razão de ser.
Beijos daqui, querida!
"dói-me a vida como uma posição incômoda"
Álvaro de Campos
beijo
Quanta magia.
Quanta beleza (incluindo o aspeto do blogue).
As cores, sim essas, auxiliarão a aliviar a dor.
Grande abraço.
Paulo
Excelente! Era isto mesmo que eu teria gostado de ter escrito... Mas isso é só para alguns...
Parabéns e beijinhos
Querida poetisa as dores de alma são as mais dolorosas e as que levam mais tempo a passar, quando passam...
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria
Dói, mas não corrói...
Beijo carinhoso.
Lídia minha querida
É uma dor que irá demorar a passar. Espero que passe.
Lindo demais as tuas palavras.
Beijinho e uma flor
Por vezes o brilho do mundo esconde-se por trás de intensas brumas, como que anunciadoras de apocalipses...
Beijo :)
Muitas vezes dói viver.
bj
Obrigada Lídia por esse expressar de uma dor que me parece ser colectiva.
É um grito que todos sentimos.
Gostei deste partilhar. Está muito bom.
Beijos
Branca
"
Dói-me (...)
A fome e a sede das casas"
Lídia
Não, jamais poderá ser inútil a dor nas mãos do poeta, que fome e sede denuncia com a força do seu punho.
Inúteis serão todos os silêncios que se deixam morrer sem perceberem porque razão, sangram as mãos dos poetas.
Forte e comovente como o içar de uma bandeira com o rosto de um povo dentro.
Um beijinho
Realmente há dias que tudo dói, remói e corrói...dias que ferem o coração e a alma grita, replica e suplica...liberdade. Beijinhos ;)
mas virá o dia em que a dor...passará...
Porque não há mal que sempre dure...
brisas doces
Enviar um comentário