sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Há dias em que tudo dói

                                                                                                                              Pintura: Laper Robert



Há dias em que tudo dói
Hoje dói-me o mundo
Não o mundo-cão que esse não morde
O que me dói é o mundo-homem
A ocupar as voltas do sentir e do pensar
Dói-me o grito
Que morde sem dó
Esta mão que escreve

Dói-me o dizer banal
Acenado por hipócritas mãos
Para cegar e iludir
Dói-me a mentira
A raiva por vacinar

Dói-me a cabeça
A fome e a sede das casas
E a espera paciente do abutre e da morte
E o silêncio de Deus também me dói
A sua mudez, a sua ausência

Mas o que verdadeiramente me dói,
Hoje
É este terrível doer inútil e inglório
que me atiça e me queima.

23 comentários:

José Pedro Viegas disse...

E dói, doi-te o peito e a alma. A dor dos poetas, das pessoas especiais, sublimes, elevadas, como só quem assim escreve.

Juliana Matos. disse...

Esse dia foi hoje!

Beijos querida

Da Ju

Lua Nova disse...

Pungente!
Tem dias que tudo dói, mas a desesperança e uma dor que persiste, consome os sonhos, turva o rio da vida e atrofia nossas asas.
Beijokas e um bom fds.

Lua Nova disse...

O novo layout ficou muito bom!
Bom gosto!

Ricardo Valente disse...

e é um incêndio. Cada dia...

Rogério G.V. Pereira disse...

Dói-me a dor que dizes
com as palavras certas
pesadas
exactas
de poema
Dor minha
que afinal
que é
exactamente
igual
verso a verso
ao teu cantar

Se irmanados estamos na dor
Irmanemo-nos também na esperança

Jaime A. disse...

As tuas mãos fecham-se e encontram-te a ti, fechada no solstício, no beco cuja saída ainda se não adivinhou...

lis disse...

Oi Lídia
Um grito que lhe salta da garganta e resvala em mim, provocando a mesma dor.
Quero muito pensar que há também caminhos que nao esses, que há futuro
e uma teimosa esperança.
Eu acredito ainda.Talvez sjea só uma vontade doida que o silencio de Deus se faça ouvir.
um abraço de domingo

Artes e escritas disse...

A dor mostra a vida, você vive. Um abraço, Yayá.

João de Sousa Teixeira disse...

Para minhas (dores) já não há remédio:
quando tudo já me doía, forcei a voz para que me doesse também.
Agora posso dizer serenamente
que a dor já não quer nada comigo: eu sou a dor
e não me dou qualquer importância.

Beijinho
João

marlene edir severino disse...

Está doendo hoje, não doerá tanto amanhã.
E se atiça, interfere.
Teve razão de ser.

Beijos daqui, querida!

Unknown disse...

"dói-me a vida como uma posição incômoda"
Álvaro de Campos




beijo

P. P. disse...

Quanta magia.
Quanta beleza (incluindo o aspeto do blogue).
As cores, sim essas, auxiliarão a aliviar a dor.

Grande abraço.
Paulo

Graça Sampaio disse...

Excelente! Era isto mesmo que eu teria gostado de ter escrito... Mas isso é só para alguns...

Parabéns e beijinhos

Maria Rodrigues disse...

Querida poetisa as dores de alma são as mais dolorosas e as que levam mais tempo a passar, quando passam...
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

Teté M. Jorge disse...

Dói, mas não corrói...

Beijo carinhoso.

Flor de Jasmim disse...

Lídia minha querida
É uma dor que irá demorar a passar. Espero que passe.
Lindo demais as tuas palavras.
Beijinho e uma flor

AC disse...

Por vezes o brilho do mundo esconde-se por trás de intensas brumas, como que anunciadoras de apocalipses...

Beijo :)

Sônia Brandão disse...

Muitas vezes dói viver.

bj

Branca disse...

Obrigada Lídia por esse expressar de uma dor que me parece ser colectiva.

É um grito que todos sentimos.

Gostei deste partilhar. Está muito bom.

Beijos
Branca

Mª João C.Martins disse...

"
Dói-me (...)
A fome e a sede das casas"

Lídia

Não, jamais poderá ser inútil a dor nas mãos do poeta, que fome e sede denuncia com a força do seu punho.
Inúteis serão todos os silêncios que se deixam morrer sem perceberem porque razão, sangram as mãos dos poetas.

Forte e comovente como o içar de uma bandeira com o rosto de um povo dentro.

Um beijinho

Sempre disse...

Realmente há dias que tudo dói, remói e corrói...dias que ferem o coração e a alma grita, replica e suplica...liberdade. Beijinhos ;)

Parapeito disse...

mas virá o dia em que a dor...passará...
Porque não há mal que sempre dure...
brisas doces