terça-feira, 18 de outubro de 2011

recantos, cantos e encantos...

Um raio de sol entrava pela varanda aberta da sala e pousava o seu brilho intenso sobre a estante que, de alto a baixo, forra de livros, uma das paredes do corredor quase sempre sombrio . 
A maravilha daquele fulgor inesperado produzia um efeito delicioso, quase palpável que eu experimentava como uma dádiva ou uma revelação. Os livros, tocados assim pela luz, apeteciam mais do que nunca e nunca o desejo de se darem a beber me havia parecido tão vivo.
Lamentei ter de me apressar para sair, mas a magia do instante perseguiu-me ao longo do dia. Ao chegar a casa, infantilmente, fui espreitar o corredor. Estava envolvido na sua meia-luz habitual. O visitante dourado tinha desaparecido, evidentemente, cumprindo a ordem irrefutável do relógio.
Passei os dedos ao correr dos livros em gesto de acariciar e pensei que é possível, sim! É possível que os poemas andem por aí dispersos, esperando que alguém os colha como frutos ou flores.

É que hoje eu vi um bem de perto. Estava pousado sobre os meus livros e eu não tive tempo de o apanhar.


29 comentários:

Mª João C.Martins disse...

Ele não fugiu, não fiques triste. Apenas se abrigou quando o sol já fugia. Há poemas assim, como sabes, que vêm pousar brevemente na margem de um raio de sol. Ele virá de novo, basta que não deixes ensombrar o brilho dos teus olhos.


Beijinho, amiga minha

Mona Lisa disse...

Olá

Apanhaste-o com os "dedos da memória"...

Belíssimo texto.

Bjs.

Rosa dos Ventos disse...

Mesmo sem um raio de sol a brincar nas nossas estantes elas são a luz das nossas casas!

Abraço

Jorge disse...

Esse raio de Sol trará de volta o poema e a inspiração da minha amiga molda-lo-à de forma a sentir-se bem nas suas searas de versos.
Para já retemos um magnífico texto, inspirado por um raio de Sol.
Bj amigo
J

Rogério G.V. Pereira disse...

Livros
quem me dera aquele ali
de lombada estreita
que afagas e a mim me espreita

Quanto ao poema...
Deixa, não faz mal
Estou certo que por não sentir apanhar
ele acabará por te procurar

OceanoAzul.Sonhos disse...

Que texto delicado, duma nobreza sem fim...

abraço
oa.s

Maria disse...

Mas escreveste-o. Em forma de prosa. E que lindo ficou!
Que amanhã outro raio de sol te ilumine a parede forrada de livros. Pode ser que se solte um pássaro...

Beijo.

Artes e escritas disse...

Uma reflexão delicada, os poemas dispersos, procuram os seus leitores. Um abraço, Yayá.

João de Sousa Teixeira disse...

Há dias,numa daquelas andanças matinais, esbarrei com uma feira de antiguidades numa avenida da cidade. Móveis, moedas, molduras... para dizer apenas palavras começadas por eme. Mas havia muito mais coisas; mil coisas mais.
Por fim, caixotes. Caixotes de livros antigos, alguns dos quais a sorrir para mim, tal a cumplicidade que sentiamos por nos termos já encontrado em tempos idos. Eram caixotes, como disse.
Um euro, a escolher.
Beijinho
João

sérgio figueiredo disse...

mas vais apanhar, estou certo!

eles não ficam longe de quem os acaricia como tu o sabes fazer... basta ler-te.

Mateus Medina disse...

Os poemas andam por todos os lugares. Mas, se tem um lugar que é certo os encontrar, é sobre os livros...

bjos

Filoxera disse...

Outros virão...
Beijinhos.

piedadevieira disse...

Lindíssimo esse colher dos poemas.Ando com vontade também de fazer isso.
Beijos

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Belissimo!!! outros mais virão, não irão ficar distantes de alguém com esse coração.
Beijinho e uma flor

Isabel disse...

O raio de sol voltará.
E essa preciosa estante lá está para o abrigar entre pérolas que são os LIVROS.
Um abraço

lis disse...

Oi Lídia
é certo que entre um livro e outro, entre uma conversa e outra ,tudo vai virar poesia.
Aos poetas e poetizas lanço sempre a minha mais carinhosa admiração.
Quintana costumava "atirar rosas
em mão distraídas ..." também gostaria de imitá-lo perfumando as suas , dando-lhe muito brilho e tudo que precisasse pra produzir flores frutos e todas as carícias que tens aqui no seu recanto, canto e encantos ...
meu abraço grande

Juliana Matos. disse...

Ai que lindo querida, arrepiei, essa última frase então, nossa, muito bommmm!
Um beijo
Ju

a d´almeida nunes disse...

Ia a passar
vi esta luz
a irradiar

deixei-me ficar

Bj
António

Evanir disse...

Hoje minha visita é para anunciar
uma novo circulo de minha vida.
Continuarei com as homenagens
que é a razão do blog (A VIAGEM)
A imagem escolhida por mim no novo visual
tem tudo a ver com o futuro, não só do blog,
mas da surpresa que a qualquer
momento será anuciada no blog.
Hoje sou parte da vida de cada
pessoa amiga e tão amada por mim,
também sou membro do Clube dos Novos Autores.
Com muita alegria convido você a paricitipar com
todos nós do clube também.
Minha Viagem prossegue amando e acarinhando todas
minhas lindas amizades.

Deixando um pedido muito importante para mim.
Eu não estou deixando vocês ,
E sim, entrarei na casa de cada um de vocês.
Conto com o carinho de sempre em meu blog,

Esteja comigo como sempre estiveram
Deus estara com você e comigo.
Segure nas mãos de Deus e na minha e vamos nessa
Deus já abençoou.
Com carinho.
Evanir
20 de Outubro

Manuel Veiga disse...

luminoso momento. de um raio de sol inesperado...

... ou de uma poema vadio (ou irreverente) que não se deixa arrumar na estante.


gostei muito. excelente escrita. a tua.

cumprimentos

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Ficou o momento preso nos teus dedos, que de certeza que o vais transformar num belo poema.

Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

A Palavra Mágica disse...

Uma maneira poética de falar de poesia. Adorei o que li.

Um beijo!
Alcides

Parapeito disse...

bonito texto
E depois há sempre a luz dos olhos.
brisas doces ***

Branca disse...

Lídia,

Tão lindo este teu texto, que nos transmite a beleza e a vida dos livros e que tão bem me soube num dia triste em que me chegou a casa a notícia de que uma muito tradicional editora da cidade, que tem longos anos, que me encheu de sonhos a juventude e já foi muito grande, tinha falido e ao mesmo tempo me diseram que já há livros que se procuram e que terminadas as edições existentes não serão para já reeditados e isso foi dito num dos dois maiores grupos livreiros no país. Depois de um boom talvez exagerado, a crise começa a afectar o sector, o que aliás já se notava.

Guarda os teus tesouros, são do mais belo que a vida tem e esse raio de sol andará por aí, na tua alma, até se soltar numa explosão de luz e corporizar o poema que afagas.

Beijos

Mel de Carvalho disse...

minha amiga, por vezes os momentos são eternidades e o poema fulgura na raiz dos lábios. ainda que se oculte dos olhos dos passantes.


sabes da minha admiração pela tua escrita, Lídia. sabes do meu carinho e da minha amizade. perdoa as ausências - reverti a vida a outras formas de trabalho, quicá menos "líricas", mais terra-a-terra, que me ocupam desmesuradamente ... :)

beijo daqui
Mel

Lilá(s) disse...

Também gosto de passar os dedos por eles na minha estante, neste gesto tão simples sinto todo o prazer que úm dia me deram na leitura.
Bjs

quanto pesa o vento? disse...

saio daqui deslumbrado pela luz das tuas palavras.
abraço.

Mar Arável disse...

Uma ternura de texto

mesmo que o sol brilhe
e brilha
até à noite

Bj

AC disse...

O poema está no seu olhar, Lídia, e parece-me que cativo. Ainda bem.

Beijo :)