quinta-feira, 24 de maio de 2012

Do reflexo das faces brancas e das faces negras

                                                                                        duy huynh


O poema nasceu assim banhado de uma sombra fria, no fio do aço e da denúncia. Poupem-no a censuras! É filho de uma terra mordida, semeada de tristezas, parindo a custo  códeas rapadas de pão. É filho de um tempo torpe e cru... Poupem-no a censuras!
Os homens carregam nos ombros os despojos de uma inocência em simulacro. Falta-lhes a grandeza da denúncia, a dignidade da verdade e da justiça.
O poema nasceu assim da asfixia do espelho, do reflexo das faces brancas e das faces negras do desnorteamento.
Poupem-no a censuras!

20 comentários:

Anónimo disse...

Poetisa Lidia,
Eu acredito que todas almas convergirão à evolução.Umas a passos largos, outras engantinhando.
Nossa espécie só fara sentido se assim for.Aos mais elevados cabem exemplarmente conduzir os outros.O amor é o porto, a censura a tempestade.Desculpa se alonguei demais,beijos no coração!

Mar Arável disse...

A poesia por vezes faz milagres

como se existissem milagres

e existem

quando a poesia quer

Bjs tantos

Rogério G.V. Pereira disse...

Não se culpe o poema por ser
parido
em mundo tão cru e desavindo

Segue em frente, poeta
e faz-me a história destes dias

Maria disse...

O Poema tem de nascer livre! Sempre!
Beijo.

Unknown disse...

Mais um bom momento em que me sinto em casa.
A sua mensagem é transparente e vertical.

Jorge Pimenta disse...

todo o poema que não grite, que não denuncie, que não chore com o choro dos outros: fora!

já assim dizia josé gomes ferreira:

"Vai-te, Poesia!

Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.

Vai-te, Poesia!

Não quero cantar.
Quero gritar!"

beijinho, lídia!

Unknown disse...

e quando o poema nasce, já é avalanche


beijo

Carlos Ramos disse...

Sim poupem-nos, deixem-nos voar, deixem-nos em paz a ele e a nós que dele somos a ponta e o iceberg....

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

o poema para ser poema tem de ser livre, e sem amarras...

um beij

Mona Lisa disse...

Um poema tem que ser como um relâmpago. Iluminar!

Beijos.

Anónimo disse...

O poema tem infinitas vidas de espera para nascer e se renovar, já basta todo o seu parto e sua ressurreição, não precisa mesmo que o barrem.

Beijo.

AFRICA EM POESIA disse...

Saudades amiga

deixo um beijinho e convido.te para visitar o meu blogue novo Dedais da Lili.

Consenso é palavra bonita
Que muita gente pergunta
O que dizer?
Pois consenso é muitas vezes
Apenas uma palavra de dicionário


Consenso - certeza
Consenso - equilíbrio
Consenso - anuência
Consenso - Tanta coisa...


Mas no dia a dia
Não sinto nenhum consenso,
ao nosso redor...
E é pena...
Pois consenso...
É apenas o pouco ou nada.
Ter ideias e partilhá-las
E respeitar as do outro lado
E nas duas partes
Surge o consenso!
Que afinal...
É tão fácil de conseguir!...
É só preciso... querer!...


LILI LARANJO

P. P. disse...

Belo, brilhante e profundo.

Abraço-a!

Elzenir Apolinário disse...

Lídia, venha comemorar mais 1 ano de blog comigo. Pegue seu pedaço de bolo. Bjs

lis disse...

Oi Lídia
O poema busca encontrar a palavra essencial , a que faz nascer o universo.
Já dizia a poeta:"Ó subalimentados do sonho, a poesia é pra comer"...
tem que vir assim, sem censura, pra alimentar!
como sempre volto com a alma leve e vontade ler muito mais de voce Lídia.
deixo abraços

Mateus Medina disse...

Magnífico! =)

bjos

Mª João C.Martins disse...

Independentemente de onde nascem, os poemas tem asas e cantam.
Às vezes os pássaros também choram; de revolta, de tristeza e da sombra fria. Fazem-no a cantar.

Pensará alguém censurar o canto de uma ave?


Um beijinho

Branca disse...

Que belo momento Lídia!
Uma singular e genial poesia...prova de que a mensagem poética é em ti um dom de várias formas, não só na rima, no verso branco, mas também numa forma mais livre que não lhe chamaria prosa poética, porque é mesmo e profundamente um belo poema, que me fez lembrar Daniel Filipe em "A Invenção do Amor".

Bravo, com muitos aplausos.

Beijinhos
Branca

AC disse...

Poema ele próprio grito, poema que já é denúncia...

Beijo :)

Graça Sampaio disse...

Belo poema em defesa do poema!