quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Como um choro de água

                                                                                                                                                      Alphonse D`Heye

Primeiro, como um choro de água,
as sílabas deslizavam junto ao solo
subalternas
Quando, já palavras se tornavam caudal
colhia duas ou três, rente à fonte
para enganar a sede.
Mais tarde insinuavam-se,
voluntárias.
Refreava então a ânsia de absorção
fazia-a durar até que a ave
adormecida no coração despertasse
estendendo as asas, rasgando limites
para se fazer utopia.

Por fim a queda
tesoura precisa na poda dos sonhos


                                                                                                                                                                       




12 comentários:

Carlos Ramos disse...

Do brilhantismo.... parabens

antonio candeias disse...

que belo poema com uma imagema acompanhar perfeita

Mª João C.Martins disse...


Entre " um choro de água " e a
" poda dos sonhos " , a mão do poeta a contornar o ciclo das searas e o grito da indignação do mundo. Com ele, nenhuma sede morrerá sem palavras.

É enorme a minha admiração pela voo das tuas palavras.

Um beijinho, Lídia

Rogério G.V. Pereira disse...

Sento-me no umbral da porta
junto à pedra
Leio e releio o poema
e espero a queda

Mais tarde os sonhos
renascerão revigorados

Daniela Delias disse...

Colher palavras...tão bonito isso!!!

Muitos beijos!

Unknown disse...

recortes de uma caligrafia,



beijo

ana disse...

Muito belo.
Arrepiei-me.
Descontente com a República as palavras pesaram mais.
A tela é belíssima e muito bem conjugada com o poema.
Parabéns e bom feriado!

Sandra Subtil disse...

Que belas imagens!!!
Os sonhos ? Brotarão renovados.
Beijinho

JP disse...

"tesoura precisa na poda dos sonhos"....

Com um choro de água eles desapareceram!


Beijo

Lilá(s) disse...

Aqui os poemas e imagens são perfeitos! sempre em sincronia!
Bjs

AC disse...

Uns semeiam, outros cerceiam...
Ninguém o diria melhor, Lídia!

Beijo :)

Maria João Mendes disse...

Cortam-se as palavras, as silabas
Podam-se sonhos….pra que nasça poesia…

Muito belo!

Beijo