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Fala-me do
quase sempre das aves
De como elas rompem o silêncio
De como elas rompem o silêncio
Rogério
(Conversa Avinagrada)
(Conversa Avinagrada)
Primeiro é preciso que o coração
tenha a forma aproximada de
um ninho
que o pensamento seja maduro
e forte
como os ramos da árvore do
mundo.
Depois, com todos os
sentidos em vigília,
discernir como elas rompem o silêncio.
Entrar no seu idioma e ler a mensagem
que trazem presa nos bicos desde o azul celeste
que trazem presa nos bicos desde o azul celeste
É preciso absorvê-la até
que nos seja leveza e emancipação,
símbolo vivo de uma
liberdade a levedar.
O “peso” terrestre,
o fascínio mortal exercido
pela serpente,
rente ao solo, não pertencem a este poema,
rente ao solo, não pertencem a este poema,
convém dizê-lo.
Aqui, as aves falam de
cumplicidade,
do divino e do terrestre,
da aliança entre deuses e
homens
numa linguagem inteligível por
reis e plebeus.
Falam dos grãos de pão
meticulosamente
repartidos, do vinho e da
sua alegria contagiante,
da seiva acesa que
alimenta sonhos, intentos e utopias.
Tudo estaria tão certo não
fosse, hoje, uma ave
vinda de um velho alfarrábio me
afirmar friamente
que os deuses estão mortos
e o céu não existe para
além do nada.
Contudo...
Desde quando se pode confiar no
cacarejo árido
de uma galinha?
de uma galinha?

20 comentários:
: )
Sim quem pode confiar nesse cacarejo...
Bjos
Um espanto este poema!
E a pintura escolhida é igualmente bela.
Bom fim-de-semana
Bjs
Como é possível, dizer-se
Num poema
Quase tudo
Sendo o quase que lhe falta
É quase nada
...e é claro que a comoção
me tocou a asa
Essa é mais uma pra pensar.LINDA!! Tua interação está lá! Obrigadão! beijos praianos,chica
Não podemos deixar que uma ave qualquer acabe com os nossos sonhos, em momentos dificeis e de dor, há que continuar a acreditar que o amanhã será melhor que o hoje.
Belissimo poema.
Beijinhos
Maria
Lídia,
boas tardes!
Vi o girassol acima do meu comentário no Blogue delicadezas de Nydia B.. Cliquei e abriu-se a canção... Bem, sou português e claro, fiquei comovido, mexido, encantado.
Moro no Brasil, mas viajo pelos blogues e agora acho que virei aqui mais vezes, para ler-te ou simplesmente, ouvir música.
Seu poema tem a cadência de uma fala dita com toda a emoção, deu-me a impressão de ser um poema que dizes de voz alta, que é para toda a gente ouvir.
Muita qualidade por aqui.
Beijinho.
C.C.
Um belo jogo de palavras, de imagens, com um final desconcertante.
Adorei.
Desconcertante...
A galinha, é claro.
;)
Beijo.
Minha querida
Não podemos e não devemos deixar que uma ave qualquer nos tire a liberdade de ser e estar.
um poema que tudo o que eu diga não é nada comparado com a imensidão de verdades.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Há aves que falam assim...
E há quem faça excelente poesia, como tu...
Gostei muito, mesmo muito.
Lídia, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.
Há que se ficar esperta com aqueles que andam para trás, sempre às espreitas e ter a coragem de alçar voos maiores, masi altos e rápidos do que as aves.
Saudades daqui, mas falta-me tempo para visitar todos os amigos queridos!!! Um pouquinho de cada vez, Lídia!!!
Olá Lídia,
Fiquei logo preso nos dois primeiros versos deste teu lindo poema.
"Primeiro é preciso que o coração
tenha a forma de um ninho"...lindo, Lídia.
Depois lembra-te sempre que, tal como as aves somos livres de voar...
Beijinho
Querida Lídia... você é uma poetisa ímpar, original e brilhante.As palavras podem ser as mesmas, aliás, sempre são, mas a sensibilidade e beleza com que você as usa é só sua.
(a propósito do seu comentário no Desassossego).
beijo.
Não comentar não significa ausência, muito pelo contrário , significa admiração.
...e porém, como diria Shakespeare, ha mais coisas entre o céu e a terra do que na tua filosofia...
Gostei muito das nuances introduzidas...
Por cada ave de asas coladas, há outras mil a voar.
Para quê dar ouvidos a cacarejos, quando se conhece a bela melodia do vento?
Beijinhos
Na verdade há aves que não voam
Bjs
aqui o poema é nascedouro de horizontes no rés-do-chão das sementeiras, estrelando-nos.
b
l
há que se interrogar o canto
no mesmo gesto de espanto
beijo
Que graciosos versos... belo poema...
Beijos e flores.
Pobres galinhas! Por vezes podem ser mais sinceras e francas que muita ave canora...
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