Respirávamos melhor quando a palavra vento
abria
as portas da nossa casa e a
palavra criança
irrompia feliz trazendo o sol a queimar nas mãos
para que não tivéssemos frio.
Havia palavras como desejo, brisa, navio
que desenhavam rotas entre o teu e o meu corpo,
margens de um mesmo rio.
Mas agora…
Ouvi dizer que as palavras envelhecem
que algumas adoecem gravemente
e podem mesmo morrer.
Ah! Que farei se a palavra mãe,
a palavra ninho
a palavra terra e outras
palavras ainda com raiz
envelhecerem no meu canto, no meu peito, no meu país?

18 comentários:
Os seus poemas encantam-me.
Bjos
Um belo poema que apela para a nossa reflexão.
Há palavras que marcam as pessoas para toda a vida. As palavras: mãe , ninho e terra e outras que nos são queridas permanecem e perduram. Palavras que são como que uma benção.
Abr
J
O tempo tudo muda e envelhece.
Porém, coisas novas traz sempre.
Só temos de estar atentas.
A palavra criança é a de crescimento mais rápido.
Só a doença ou a morte nos podem despedaçar.
Tudo o resto tem solução.
Um beijinho com votos que estejas bem assim como a família.
por vezes temos de saber re-inventar as palavras.
um poema muito belo.
uma boa semana.
beijo
As palavras não envelhecem, Lidia,são os lábios que as pronunciam que deixam passar o tempo.
Mãe, ninho e terra deixam de ter o mesmo significado neste país.
Muito lindo este poema.
Beijinho
Poeta, trago-te a alegria
de um desengano
As palavras não envelhecem
O que te foi dado a ouvir
Foi para te consumir
O que envelhece, isso sim
é a forma com que são ditas,
lidas ou escritas
As palavras belas e certas
estão bem vivas e despertas
(verás que tenho razão se as disseres em alta voz)
Há rios que não secam...
Só que é mais sinuoso o caminho
da nascente à foz
As palavras ressurgirão sempre.
É preciso senti-las e ter a
capacidade que você tem de as
transformar em poesia.
Venho convidar a visitar o meu
blogue http://sinfoniaesol.
wordpress.com que acaba de
completar um ano.
Beijinhos
Irene Alves
As palavras impor-se-ão sempre. Os seus arquétipos estarão sempre vivos, tal como está bem viva e presente a frase "anda para o pé de mim deitar-te porque chegou a hora do repouso diário e eu gosto muito da tua companhia" no "miii - urrr-rummm" que eu "lanço" ao meu Sigmund, quando ele se esquece de se vir deitar comigo...
mas, estas, as que uso para os meus poemas, as que agora li no teu poema, não quero que no-las estraguem. Pois se estão tão vivas!
Abraço grande
Lindíssimo!
Cabe-nos também, um pouco, não deixar que as palavras envelheçam!
Um beijo
as palavras nos envelhecem, lidia b.
são elas, as palavras.
abração do
r.
(re)inventar as palavras - e o amor por elas é mister de Poeta!
como bem sabes. e tão bem praticas...
belíssimo.
beijo
Querida Lígia
As palavras têm também a sua vida, chegando a ter significado oposto, como sabes. Contudo, essas... terão sempre nas nossas bocas um significado eterno.
Beijo
Daniel
as palavras e os seus ocasos, será que tem estrada para as sílabas
beijo
O que faremos todos nós se isso acontecer?!
Belo poema!
A foto é de Tormes não é?
Abraço
O tempo passa... a vida continua e as palavras recomeçam novo ciclo...
Beijinhos.
Reconheci logo porque também lá estive este verão e tirei uma foto semelhante...que não ficou tão boa! :-))
Abraço
Mãe nunca morre e ninho se refaz, se recria, na terra em que estivermos...
beijos
Lídia,
As palavras nunca envelhecem dentro da nossa casa. Amadurecem e esperam o momento certo para relembrar quem, porventura, teima em as fazer esquecer.
As palavras que guardamos na nossa casa têm asas...
Beijinho
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