Rein Pol
Na mastigação lenta das coisas em redor
há uma distância
interposta entre mim e o mundo
hoje que sou débil e serena.
Sinto-a, presença sem
mistério,
nas conjeturas que nunca me foram carne, sangue
e, só por isso, desconhecem a insolência das pedras
quando, em clara cegueira,
dilaceram a água.
É tudo!
Quando os credos se enchem
de tão fácil completude
nenhuma pergunta resta à superfície das mãos.
E como é intolerável o tempo de não haver perguntas!
E como é intolerável o tempo de não haver perguntas!
O tempo de não haver
perguntas é um tempo, por demais, infecundo
um tempo em que nunca se
sabe a que sabe um arco-íris
nem o perfume do vento nas searas, nos dias de brandas
eternidades.
eternidades.
Nada se sabe do canto da
espuma que o mar oferece à areia
no tempo de não haver
perguntas.
Nunca se sabe por que motivo seca a relva
no jardim de onde intentam furtar as flores, sem pudores
nem cansaços.
nem cansaços.
No tempo de não haver
perguntas
Os sentidos fecham-se como
tulipas negras ao anoitecer
e o silêncio emudece, a dois passos da voz.
É tudo!
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24 comentários:
Leio e releio
E depois de lido
e relido
com o cuidado de não
lhe subverter o sentido
retiro este poema da tua tela
Dobro-o em quatro
E o guardo
até que nos chegue o tempo
de haver (tuas) respostas
(se não te importas...)
Viver é questionar permanentemente.
Poesia, é o que tu fazes. E excelente.
Lídia, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.
Poema e música a fazerem-me uma excelente companhia enquanto a ligação não cai... pela milionésima vez, hoje...
Beijo!
LINDÍSSIMO! Aplausos!! beijos,de volta,chica
Mais uma vez, tu nos brinda com um belo poema. Acho que o tempo de não haver perguntas é o tempo do cansaço; tempo da desilusão pelna.
Um abração. Tenhas um bom final de domingo.
Magnifico! sempre que aqui passo sinto que este é o meu momento alto!
Bjs
Belíssimo o terceto final - sem desdenhar das imagens intensas com que enches a glosa do tema. Uma poeta!
Beijos (cheios de perguntas...)
Um poema para reflectir!
Pior que não haver perguntas é não ter quem dê as respostas...
Beijinhos.
que floresçam as tulipas. no sol das praças e das canções plenas...
beijo
Não gosto desse tempo de não haver perguntas! (Mas do poema, gostei!)
Beijos, boa semana
Tempo de não haver perguntas
Tempo de não haver respostas
Tempo do silêncio
Tempo do silêncio ruidoso
Acabaram-se as perguntas porque secaram as flores...e o cansaço, é tudo!
Adorei o poema com um sentido que ultrapassa as palavras.
Beijo
Graça
Quem acha que já não há perguntas a fazer, normalmente crê que sabe todas as respostas. Ilusão, que só atravanca o processo necessário de entendimento das coisas...
beijos
o tempo de não haver perguntas: interrogar-se-ia.
beijo
E o silêncio emudece....
E há perguntas que não precisamos de fazer. Basta o olhar para entender.
Beijinho
Começam a florir as palavras improvís
que não deixam de se interrogar
Foi o que me disseram as tulipas
a serenidade, aqui expressa...
boa semana.
beijo
:)
Tudo termina no fim da curiosidade.
Mas essa, resiste, faz parte da nossa natureza.
bjs
Oi, Lídia. Muito bacana o seu espaço. Li alguns de seus poemas e gostei demais.
Meu abraço, minha admiração e meu obrigado pelo comentário no letas et cetera.
Marcelo
Belo o verbo perguntar e de tudo só ter "Incertezas Absolutas!"
Belo o sítio onde se lê poesia a sério e onde vale muito a pena passar!
Beijinho.
É lindo o poema, a imagem escolhida e a música de fundo.
É bom termos perguntas, quando elas nos ajudam a perceber.
Um beijo
Belo e sereno...
Beijos e flores.
tudo, tudo bonito aqui.
Podem os ventos ser, ou não, de feição, mas sobra sempre uma pergunta: porque é que se faz poesia?
Beijo :)
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