domingo, 3 de fevereiro de 2013

É tudo!


Rein Pol

Na mastigação lenta das coisas em redor
há uma distância interposta entre mim e o mundo
hoje que sou  débil e serena.

Sinto-a, presença sem mistério,
nas conjeturas  que nunca me foram carne, sangue
e, só por isso, desconhecem a insolência das pedras
quando, em clara cegueira, dilaceram a água.

É tudo!
Quando os credos se enchem de tão fácil completude
nenhuma pergunta resta à superfície das mãos.
E como é intolerável o tempo de não haver perguntas!

O tempo de não haver perguntas é um tempo, por demais, infecundo
um tempo em que nunca se sabe a que sabe um arco-íris
nem o perfume do vento nas searas, nos dias de brandas 
eternidades.

Nada se sabe do canto da espuma que o mar oferece à areia
no tempo de não haver perguntas.
Nunca se sabe por que motivo seca a relva
no jardim de onde intentam furtar as flores, sem pudores 
nem cansaços.

No tempo de não haver perguntas
Os sentidos fecham-se como tulipas negras ao anoitecer
e o silêncio emudece, a dois passos da voz.

É tudo!







24 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Leio e releio
E depois de lido
e relido
com o cuidado de não
lhe subverter o sentido
retiro este poema da tua tela
Dobro-o em quatro
E o guardo
até que nos chegue o tempo
de haver (tuas) respostas
(se não te importas...)

Nilson Barcelli disse...

Viver é questionar permanentemente.
Poesia, é o que tu fazes. E excelente.
Lídia, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Poema e música a fazerem-me uma excelente companhia enquanto a ligação não cai... pela milionésima vez, hoje...


Beijo!

chica disse...

LINDÍSSIMO! Aplausos!! beijos,de volta,chica

Dilmar Gomes disse...

Mais uma vez, tu nos brinda com um belo poema. Acho que o tempo de não haver perguntas é o tempo do cansaço; tempo da desilusão pelna.
Um abração. Tenhas um bom final de domingo.

Lilá(s) disse...

Magnifico! sempre que aqui passo sinto que este é o meu momento alto!
Bjs

Graça Sampaio disse...

Belíssimo o terceto final - sem desdenhar das imagens intensas com que enches a glosa do tema. Uma poeta!

Beijos (cheios de perguntas...)

Mona Lisa disse...

Um poema para reflectir!

Pior que não haver perguntas é não ter quem dê as respostas...

Beijinhos.

Manuel Veiga disse...

que floresçam as tulipas. no sol das praças e das canções plenas...

beijo

Isa Lisboa disse...

Não gosto desse tempo de não haver perguntas! (Mas do poema, gostei!)

Beijos, boa semana

Paula Barros disse...

Tempo de não haver perguntas
Tempo de não haver respostas
Tempo do silêncio
Tempo do silêncio ruidoso

Graça Pereira disse...

Acabaram-se as perguntas porque secaram as flores...e o cansaço, é tudo!
Adorei o poema com um sentido que ultrapassa as palavras.
Beijo
Graça

Mateus Medina disse...

Quem acha que já não há perguntas a fazer, normalmente crê que sabe todas as respostas. Ilusão, que só atravanca o processo necessário de entendimento das coisas...

beijos

Unknown disse...

o tempo de não haver perguntas: interrogar-se-ia.



beijo

JP disse...

E o silêncio emudece....

E há perguntas que não precisamos de fazer. Basta o olhar para entender.

Beijinho

Mar Arável disse...

Começam a florir as palavras improvís

que não deixam de se interrogar

Foi o que me disseram as tulipas

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

a serenidade, aqui expressa...

boa semana.

beijo

:)

Armando Sena disse...

Tudo termina no fim da curiosidade.
Mas essa, resiste, faz parte da nossa natureza.
bjs

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Oi, Lídia. Muito bacana o seu espaço. Li alguns de seus poemas e gostei demais.

Meu abraço, minha admiração e meu obrigado pelo comentário no letas et cetera.

Marcelo

Teresa disse...

Belo o verbo perguntar e de tudo só ter "Incertezas Absolutas!"
Belo o sítio onde se lê poesia a sério e onde vale muito a pena passar!

Beijinho.

Isabel disse...

É lindo o poema, a imagem escolhida e a música de fundo.

É bom termos perguntas, quando elas nos ajudam a perceber.

Um beijo

Teté M. Jorge disse...

Belo e sereno...

Beijos e flores.

Adriana Riess Karnal disse...

tudo, tudo bonito aqui.

AC disse...

Podem os ventos ser, ou não, de feição, mas sobra sempre uma pergunta: porque é que se faz poesia?

Beijo :)