É dos meus olhos ou é destas folhaso verde liquefeito?
Quem tem culpa dos versos, elas ou eu?
Se um tribunal
para o efeito houvesse,
ganharia a verdade
ou para sempre os trâmites legais:
o culpado dos versos à solta
pelas ruas e livre de fazer o que quisesse:
pendurarem-se em ramos, sedutoras,
desbragados voyeurs de liquefeitos
verdes?
Amaral, Ana Luísa (2010:p.123), Inversos, Lisboa, D. Quixote.
Imagem net
7 comentários:
Que importa de quem são os versos... são lindos e andam à solta para quem os quiser ler.
Gosto muito dos poemas desta poetisa.
Um grande abraço, minha amiga!!!
Também os verdes
no espelho da água
parecem mais verdes
A «culpa» é destas folhas e dos olhos verdes da poeta... metade metade. E dessa fusão de partes mais ou menos iguais que nasce o poema...
Beijinhos verdes liquefeitos...
A sensibilidade do poeta
não é (e está) apenas no que escreve à flor da sua pele, mas também nas escolhas que faz e no tempo escolhido para as fazer...
As perguntas?
Não, não sei responder...
ótima escolha, excelente poetisa!!!
:)
Muito belo!
Por vezes não é preciso palavras.
Um beijinho.
Enviar um comentário