sábado, 2 de fevereiro de 2013

Polaridades

É dos meus olhos ou é destas folhas
o verde liquefeito?
Quem tem culpa dos versos, elas ou eu?

Se um tribunal
para o efeito houvesse,
ganharia a verdade
ou para sempre os trâmites legais:

o culpado dos versos à solta
pelas ruas e livre de fazer o que quisesse:
pendurarem-se em ramos, sedutoras,
desbragados voyeurs de liquefeitos
verdes?

Amaral, Ana Luísa (2010:p.123), Inversos, Lisboa, D. Quixote.



Imagem net

7 comentários:

Catarina disse...


Que importa de quem são os versos... são lindos e andam à solta para quem os quiser ler.

Penélope disse...

Gosto muito dos poemas desta poetisa.
Um grande abraço, minha amiga!!!

Mar Arável disse...

Também os verdes

no espelho da água
parecem mais verdes


Graça Sampaio disse...

A «culpa» é destas folhas e dos olhos verdes da poeta... metade metade. E dessa fusão de partes mais ou menos iguais que nasce o poema...

Beijinhos verdes liquefeitos...

Rogério G.V. Pereira disse...

A sensibilidade do poeta
não é (e está) apenas no que escreve à flor da sua pele, mas também nas escolhas que faz e no tempo escolhido para as fazer...
As perguntas?
Não, não sei responder...

Anónimo disse...

ótima escolha, excelente poetisa!!!

:)

ana disse...

Muito belo!
Por vezes não é preciso palavras.
Um beijinho.