terça-feira, 23 de abril de 2013

cavalo alado


Sempre haverá mais um passo a dar
para além do andado neste percurso infinito.
Este pensamento, como um tónico revigorante
causa uma reação física 
que sinto correr na pele como um calafrio alegre.

Aconchego-me,  
emendo a posição do corpo na cadeira e reabro o livro.
Sigo no meu cavalo alado pelo verde vale da fruição 
e do encantamento.
No alforge que  veste o meu Rocinante
há alimento bastante  
para saciar carecimentos até ao fim da viagem, 
umas dezenas de páginas adiante
ou mais além,  no sol poente 
onde chegarei  
um pouco mais o que sou ou serei 
um pouco menos o que  ainda há pouco era.


Giuseppe Arcimboldo


9 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Que bela homenagem ao Livro!

Abraço

JP disse...

Olá Lídia,
Há sempre mais um passo a dar. Mas o tempo é limitado e seremos sempre menos que já fomos.

Beijinho

Laços e Rendas de Nós disse...


Chegaremos sempre carregados de ideais, que o Rocinante nos há de levar adiante.

Beijo

Laura

Unknown disse...

Sempre em frente, tendo a coragem por companhia.
Beijos.

Mar Arável disse...

Infinitos desenhados

no chão que pisamos

são pássaros
que ainda não voaram

Flor de Jasmim disse...

Profundo Lídia!

beijinho e uma flor

Rogério G.V. Pereira disse...


Chegarás, um pouco mais do que serás

:))


O Neto do Herculano disse...

Um pouco mais,
um pouco menos,
do que eu era,
do que eu sou.

Unknown disse...

esta equação que não se resolve enquanto há vida,



beijo