Para que enfim te encontrasses
partiste. Rompeste
fronteiras
mutilaste rios e montanhas
atravessaste bosques e densas madrugadas
rasgaste voos impossíveis em paredes maciças
inventaste fontes e pontes
nos lugares onde
a água ria ou chorava.
Nessa demanda de ti
julgaste que em algum momento,
num instante intocável como eco urgente
num instante intocável como eco urgente
te descobririas nu, demónio ou anjo.
Mas, a cada
passo, te vias barro,
massa informe, disforme, matriz em negação.
Julgaste que
de tanto observar os animais
serias mais
humano, mais perfeito, mais irmão.
Mas não!
Brotaste pedra,
na margem errada da lágrima
e a tua
humanidade era uma jangada a naufragar.
Por fim, perdido nos desvios de ti, a ti te
revelaste
dramaticamente só e inacabado.
O sol arde-te nos olhos.
O sol arde-te nos olhos.
.jpg)
19 comentários:
Gostei muito deste seu poema.
A música também gostei.
Tudo perfeito.
Desejo esteja bem.
Um beijinho
Irene Alves
Quando terminei de ler o texto e li abaixo "SEM COMENTÁRIOS", tive que concordar com a ironia do destino.
Este texto está, indiscutivelmente, dispensando os comentários.
Magnífico, sou apaixonado por essa forma de escrever.
abraços e agradecimentos!
Linda poesia! beijos,chica
Nessas demandas nunca sabemos as margens erradas ou as margens certas...
Beijinho
Tragicamente delicioso.
Bjs
Que dizer, quando a luz nos ofusca o olhar!!
Simplesmente brilhante e estrondoso!
Beijinho muito amigo...grata por este momento de bela Poesia!!!
É nestas demandas que nos sentimos como naufragos.
boa semana querida
beijinho e uma flor
Surpreendes-me poeta
Tinha, para mim,
Que gente assim
Não parte de si
Não se procura
Não se escrutina
na alma nua, verdade tão crua
O sol arde-lhe nos olhos?
Como?, se falas de gente cega...
Ou não?
Esqueci de dizer que teu poema meu deu outra forma de olhar... de ver pedras brotadas, nas margens erradas das lágrimas
Uma viagem interior sempre necessária.
beijo
Nada é perfeitamente inútil
até nos desertos
há pedras com vida por dentro
" Por fim, perdido nos desvios de ti, a ti te revelaste
dramaticamente só e inacabado "
Ótimo, Lídia. Fantástico.
Um retrato da nossa humanidade, da nossa eterna construção e da nossa sempre existente porção de solidão.
Humanos, todos nós.
bjos
este partir para encontrar-se: incessante busca
beijo
Porque todas as palavras foram usadas, saio em silêncio...
Beijo
Laura
Uma longa e magnificamente narrada viagem, Lídia.
Abraço grande!
arde, também, no jeito de olhar.
beijão,
r.
a luz é demasia para quem se acha centro.
gostei imenso do poema,
Beijo
Ser "jangada a naufragar" em tantos mares por navegar, só pode ser cegueira de quem morre com o leme inteiro nas mãos. Mas existe, felizmente, quem da crua realidade assim escreva, para que as pálpebras não desistam de proteger os olhos de poeiras.
Obrigada!
Um beijinho,querida Lídia!
É como cantou Eugenio de Andrade em
Epitáfio:
' barcos ou não/arde na tarde/no ardor do verão/todo rumor é ave/
voa coração /ou entao arde.'
muito muito lindo Lídia
Enviar um comentário