quarta-feira, 26 de junho de 2013

limites e tendinites... por escrito!


As mãos…
Havia nos traços inscritos
um percurso intrínseco de flores
uma lembrança de perfumes e cores.

Não sabia qual delas, primeiro,
se deixara tomar pela libertinagem da escrita.
Não sabia.
Uma tinha levado a outra para o ofício, 
a arte de  partir pedra - teoria!

Numa das mãos
sortilégios, rochas brancas
lisos seixos aliviados de peso e dor
Na outra, soturnidades só
nuvens, refúgio de sombras, desamor.

Com a primeira, bem se vê, escrevo ave, flor
e outras coisas assim, cheias de sol. 
Com a outra, tempestades nocturnas 
ventos, relâmpagos, tormenta...

É esta última a que mais se lamenta.
Abre cada tendão a golpes de lâmina,
ao mínimo gesto: uma vírgula 
um acento, uma sílaba sedenta.

Arde-me intensamente, a escrita, hoje.
Nas duas mãos, o verso imperfeito.
E o comprimido
que não quer fazer efeito!



20 comentários:

chica disse...

Isso acontece,Lídia e mesmo com dor, teus versos ficaram lindos!beijos,chica

JP disse...

Os teus versos são sempre o melhor comprimido...e fazem sempre efeito!

Beijinho

Armando Sena disse...

A Lídia tem um estilo cativante que nos guia através da sua escrita. Lê-se num fôlego e teme-se pela aproximação do final.
Uma maravilha.
Que nunca as tendinites ou outras maleitas lhe limitem este dom.
Beijo

Flor de Jasmim disse...

Como sempre Lídia não me é fácil comentar poemas, este então que muito fala de realidades que existes na minha vida.

beijinho e uma flor

Unknown disse...

o que dói nas mãos, este fluir de sílabas e palavras, inscrições no tempo



beijo

Graça Sampaio disse...

Lindo! A última estrofe está um espanto.

Como é que há tanta imaginação tomada embora pelo sentimento e pela emoção?

Beijo essas mãos que desenham versos tão perfeitos.

Maria disse...

Jamais me ocorreria escrever sobre uma questão... assim...
As tua melhoras, Lídia.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Hoje passando para dizer que estou voltando (ainda devagar), mas com muita saudade e agradecendo as palavras de carinho deixadas durante a minha ausência.
As melhoras, sei do que falas.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Daniel C.da Silva disse...

A antepenúltima estrofe diz de toda a beleza do poema: porque é das mãos e do que escrevem :)

As melhoras e um beijo amigo

Anónimo disse...

Nas mãos, o destino possível das palavras, a voz da alma nas tendinites do momento! Pílula, a de efeito mais prolongado e certo – engenho e libertina imaginação!
Belo poema!

Mar Arável disse...

Nas duas mãos

os impossíveis tangíveis

Bjs

Lilá(s) disse...

Nem uma tendinite limita o dom e dote do poeta! Maravilha!
Bjs

Manuel Veiga disse...

a virtuose das mãos . e o prazer do texto...

bela a tua poesia. sempre...

beijo

Mª João C.Martins disse...



Uma mão escreve e ampara a outra dorida; não há gestos que desistam quando as mãos têm tanto para revelar.

É incrível a resiliência de um poeta... belíssimo poema!!

Um beijinho

Maria Rodrigues disse...

Quem tem alma de poeta até com dor encontra inspiração e encanta quem lê.
Beijinhos
Maria

Rogério G.V. Pereira disse...

Tivesse eu presente
Saber antigo
E não soltarias
Nem mais um gemido

(as melhoras...)

ana disse...

Um poema muito bonito às mãos.
Beijinho. :)

Emília Simões disse...

Olá Lídia, e como a dor se pode transformar em poesia! Sublime o seu poema. Beijinhos e rápidas melhoras. Ailime

AC disse...

:)
Sempre bem, Lídia!

Beijo :)

Mel de Carvalho disse...

de mãos dadas, Lídia, a vida inteira, de faz poema. como te entendo...

adorei ler-te, aliás como sempre. tenho uma história para te contar sobre o post abaixo... sucinta: e que se fazer com um manjerico que, degenerado, é meio manjerico, meio manjericão? exactamente. tenho um desses... :). pela vida da dúvida, enfeita a casa, e coabita com as andorinhas. não o comerei, por certo.

beijos meus
Mel