As mãos…
Havia nos traços
inscritos
um percurso
intrínseco de flores
uma lembrança
de perfumes e cores.
Não sabia
qual delas, primeiro,
se deixara
tomar pela libertinagem da escrita.
Não sabia.
Uma tinha levado a outra para o ofício,
a arte de partir pedra - teoria!
Numa das mãos
sortilégios, rochas
brancas
lisos seixos aliviados de
peso e dor
Na outra,
soturnidades só
nuvens,
refúgio de sombras, desamor.
Com a
primeira, bem se vê, escrevo ave, flor
e outras
coisas assim, cheias de sol.
Com a outra, tempestades
nocturnas
ventos, relâmpagos, tormenta...
É esta última a que mais se lamenta.
Abre cada
tendão a golpes de lâmina,
ao mínimo
gesto: uma vírgula
um acento,
uma sílaba sedenta.
Arde-me intensamente, a escrita, hoje.
Nas duas mãos, o verso imperfeito.
E o comprimido
que não quer fazer efeito!
20 comentários:
Isso acontece,Lídia e mesmo com dor, teus versos ficaram lindos!beijos,chica
Os teus versos são sempre o melhor comprimido...e fazem sempre efeito!
Beijinho
A Lídia tem um estilo cativante que nos guia através da sua escrita. Lê-se num fôlego e teme-se pela aproximação do final.
Uma maravilha.
Que nunca as tendinites ou outras maleitas lhe limitem este dom.
Beijo
Como sempre Lídia não me é fácil comentar poemas, este então que muito fala de realidades que existes na minha vida.
beijinho e uma flor
o que dói nas mãos, este fluir de sílabas e palavras, inscrições no tempo
beijo
Lindo! A última estrofe está um espanto.
Como é que há tanta imaginação tomada embora pelo sentimento e pela emoção?
Beijo essas mãos que desenham versos tão perfeitos.
Jamais me ocorreria escrever sobre uma questão... assim...
As tua melhoras, Lídia.
Minha querida
Hoje passando para dizer que estou voltando (ainda devagar), mas com muita saudade e agradecendo as palavras de carinho deixadas durante a minha ausência.
As melhoras, sei do que falas.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
A antepenúltima estrofe diz de toda a beleza do poema: porque é das mãos e do que escrevem :)
As melhoras e um beijo amigo
Nas mãos, o destino possível das palavras, a voz da alma nas tendinites do momento! Pílula, a de efeito mais prolongado e certo – engenho e libertina imaginação!
Belo poema!
Nas duas mãos
os impossíveis tangíveis
Bjs
Nem uma tendinite limita o dom e dote do poeta! Maravilha!
Bjs
a virtuose das mãos . e o prazer do texto...
bela a tua poesia. sempre...
beijo
Uma mão escreve e ampara a outra dorida; não há gestos que desistam quando as mãos têm tanto para revelar.
É incrível a resiliência de um poeta... belíssimo poema!!
Um beijinho
Quem tem alma de poeta até com dor encontra inspiração e encanta quem lê.
Beijinhos
Maria
Tivesse eu presente
Saber antigo
E não soltarias
Nem mais um gemido
(as melhoras...)
Um poema muito bonito às mãos.
Beijinho. :)
Olá Lídia, e como a dor se pode transformar em poesia! Sublime o seu poema. Beijinhos e rápidas melhoras. Ailime
:)
Sempre bem, Lídia!
Beijo :)
de mãos dadas, Lídia, a vida inteira, de faz poema. como te entendo...
adorei ler-te, aliás como sempre. tenho uma história para te contar sobre o post abaixo... sucinta: e que se fazer com um manjerico que, degenerado, é meio manjerico, meio manjericão? exactamente. tenho um desses... :). pela vida da dúvida, enfeita a casa, e coabita com as andorinhas. não o comerei, por certo.
beijos meus
Mel
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