Vladimir Kush
Liberta-se,
desenrola-se
abandona
o casulo de sombras
alonga
o corpo dorido. Estende as asas
[imperceptíveis]
Ousa, por fim, descerrar as pálpebras.
Exclui
os pássaros.
Demasiado
reais, os pássaros!
Além
do mais:
estava
morto aquele
com que
o gato o brindou
pela
manhã. Irónica ternura.
[Nada mais terrível para um coração vivo
- um
pássaro morto!]
E o
voo em pânico precipita-se
da
árvore mais próxima para o abismo.
Insustentável!
Peixes
mudos ocupam o
lugar dos pássaros
e o mergulho, o
lugar do voo.
Avidamente
afloram no avesso das palavras
bolhas
e bolhas de silêncios condensados
frios de tão azuis.
Descansa a respiração suspensa
num espaço em branco entre estrofes
escapando ao afogamento,
reaprendendo a fala, afinando a voz...
Coisas necessárias, enquanto não for capaz
de respirar por guelras.

19 comentários:
Li,reli e me extasiei. Lindo demais,Lídia! Consegues te superar sempre! Parabéns! beijos,chica
Gosto muito da poesia que escreve, das publicações que faz neste blog.
A analogia neste poema, provoca os sentidos, e é um prazer ler, partilhar, imaginar.
gostei do surrealismo do poema.
por breves momentos fez-me lembrar a escrita do nosso amigo mar arável.
muito bem...
:)
É urgente que os pássaros reaprendam a voar.
Belíssimo!!!
beijinho
Metamorfoses nas palavras que nos elevam.
beijinho
Bom dia!
Fiquei fascinado com seu trabalho.
Parabéns
Sinval
Porque o possível é possível também pela metamorfose...
Perfeito!
Beijo
Laura
maravilha de poema, imenso
beijo
A música envolve; o poema diz-se, e não se comenta. Fica-se assim...
Gostei muito.
Beijinho amigo
Em vários poemas já experimentei respirar por guelras
aqui também
Bj
Gostei a sério do teu poema: simultaneamente cru, despojado, harmonioso,sensível. E fala de gatos:))))))))
Obrigada pela visita ao Quarteto!
Bom fim de semana
sabes que mais, Lídia? nada me atormentava tanto quanto retirar do aquário peixes mortos. acabei com o aquário. ponto final!
... e nada me perturba mais que ver as "minhas" andorinhas bebés caídas do ninho e igualmente mortas...
mantenho os ninhos, ano após ano,e, um dia destes, não consigo entrar em casa, porque, em todos os locais surgem novos agregados, na certa porque se sentem seguras aqui.
mas dói quando se perdem e a minha gata as acha ...
é um sentimento estranho, porque vejo a morte como um percurso e sequer a temo... adiante.
leio-te sempre com o maior carinho, bem sabes. admiro-te de sobremaneira.
beijo meu, tem um excelente fds
Mel
Belo poema, o que também já não surpreende...
Bom final de semana
Lindo blog Lidia,com textos maravilhosos.
Vejo muitos amigos por aqui e aqui ficarei se me der sua licença.
bjs
Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com
Fabuloso poema, Lídia!
Apenas acrescento a minha enorme admiração pela qualidade da sua poesia!
Um beijinho.
Ailime
A respirar assim
chegamos ao mar
Difícil, Lídia!
Também eu queria aprender a respirar por guelras... talvez não sentisse este sufoco.
Beijinhos
" Insustentável" , até que o peito comprimido se liberte na sua própria cadência.
Para guardar... porque há muito que precisa ser dito!
Um beijo
Também li os comentários...
Sobra para mim, dizer-te assim: a metamorfose é o meu estado de poema e o meu destino é o mar
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