Tanto do que falar: Madiba, Nadir Afonso, Manoel de Oliveira, o Papa Francisco, isto só para referir assuntos nobres, mas há outros como a contestação na Ucrânia, a nossa retoma económica(?), a prova dos professores em cima da avaliação dos alunos, o frio, a falta de neve na serra para os turistas, sei lá! Uma infinidade de temas a que dar tratamento e eu, a escrever, o dia inteiro, para os miúdos, alguns dos quais já nem se lembram que eu existo e outros nunca me chegarão a conhecer.
Entrei no dia como quem entra num abraço quentinho. Mas logo uma pinga, ping...ping...ping... na pia da cozinha, me obrigou a pôr uma letra na música que me chegava; depois um cavalinho de pau no sótão da minha infância, toc...toc... toc...toc, mesmo a pedir um amigo para partir à aventura; uma sobrinha que vai completar nove anos e quer ser bailarina; um conto de natal que me trouxe à memória uma bola menos brilhante do pinheirinho... Enfim! Um dia, em sossego, a escrever pequenices, niquices, coisas de nada.
Assim:
Eu queria ser bailarina
Em biquinhos de pés dançar
E sem nunca ficar tonta
Rodopiar, rodopiar, rodopiar.
Eu queria ser uma nuvem
Mais macia que o algodão
E brincar ao faz de conta
Ser sereia, ser duende ser anão.
Eu queria ser uma flor
Morar no meio do jardim
Ter borboletas e abelhas
A voar junto de mim.
Eu queria ser uma estrela
Cintilar na noite fria
E piscar aos meus amigos
Que não me veem de dia.
Bailarina, nuvem, flor
Estrela, navio, vento
Ou seja lá o que for
Está tudo ao meu dispor
Guardado no pensamento.

14 comentários:
Entrar no dia como quem entra num abraço quentinho é coisa de muito
que se solta no pensamento
(um beijo à Inês, diga-lhe que é de um amigo)
Gostei imenso do poema!
Coisas de nada que deram um belo post!
E eu parada...falar desses grandes vultos não iria acrescentar nada ao muito que já foi dito, falar dos problemas que nos assombram e a outros povos a mesma coisa!
Como sou uma prosaica aqui estou à espera de balanço!
Abraço
«pequenices, niquices, coisas de nada» - nem por isso! Eu gosto e (já) não sou criança...
Escrevas tu o que escreveres, sai sempre bem - muito bem!
Beijinho.
pequenas coisas - plenas!
muito belo
beijo
Pequenos grandes nadas
quando se escreve com amor
mesmo que seja só para nós
um dia leitores
a desvendar o que escrevemos
Delicioso poema amiga de mim
em sossego, este bem estar
beijo
Mas a amiga escreveu um belo
post. Gostei muito.
Desejo que esteja bem.
Bj.
Irene Alves
é como ser quem se quer.
lindo!
Bjs da minha romã
recriada
Não são palavras nem coisas de nada, não senhor. Muito nobres os temas...
O poema lindo como sempre, guardado aqui...
Beijo
Eu gosto de pequenices porques elas fazem parte do meu dia a dia.
Bjos
Lídia,
Há devaneios de infância que nunca desaparecem, aconteça o que acontecer. E ainda bem.
Beijo :)
"... pequenices, niquices, coisas de nada" mas... TANTO, Lídia, de VIDA!
Que bom partilhar connosco tais PÉROLAS!
Beijinho
Enviar um comentário