Escapamo-nos por uma fenda
do tempo
Como um fiapo de luz pela abertura no muro
Dividido, o tempo exibe a pele rasgada
nos polos contraditórios
do ser e do não ser
e não prevê espaços
de conforto
nas desconfortáveis trincheiras
do presente.
Sai-se assim clandestinamente
de um janeiro gélido
rumo ao tempo reconstruído
do trigo nas searas.
Um ardor de estio
estremece no oscilar das espigas
e é já maduro o rumor da brisa que respiramos.
Pela rua corre de novo a alegria
porque não há poeta
verdadeiramente morto
dentro da sua morte. E não
há quem verdadeiramente
se deixe amordaçar em galerias de medo e de silêncio
quando o tempo não tem tempo p'ra gastar.
quando o tempo não tem tempo p'ra gastar.
Numa praça de grades inventadas
numa cela de paredes friáveis não há quem seja
verdadeiramente prisioneiro.
Por uma fenda do tempo, escapamo-nos...
Não há grades que o sonho não derrube para ser vida,
que o poema não atravesse para fugir da morte.
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18 comentários:
O sonho e a poesia que nos libertam e nos ajudam a viver!
Gostei do poema e da imagem. A papoila é uma das minhas flores preferidas!
Um beijo e uma boa semana!
Só uma palavra... Fabuloso, Lídia.
Beijos.
Há poemas que gostaríamos de vestir, correr pela rua para o mostrar
Correr, como a alegria, sem parar
Talvez nesse dia acontecesse
o que terá que ser
Maravilhoso teu poema, encantador!bjs praianos,chica
Um dia será!
beijinhos
Mesmo que seja tarde, mesmo que seja adiada ou postergada, toda forma de liberdade é sempre bem vinda, Lídia.
Boa tarde Lídia, um poema magnifico!
Um dia terá que ser, mas a poesia imortalizará o poeta!
Beijinhos,
Ailime
O poema é forte. Acreditando-o é possível derrubar o impensável e olharmos a luz, o caminho.
Belíssimo Lídia.
beijinho
cvb
Querida amiga
Mais uma linda semana recomeçou
Mais uma vez o sol brilhou
Para nos abraçar com sua cor
Sobre cada flor
Fazendo com que tudo fique mais belo e colorido.
Trazendo a alegria para viver a nossa vida com mais serenidade e alegria.
Desejo a você minha paz e alegria para seu coração.
Abraço amigo
Maria Alice
Bonita poesia como é habito na tua pessoa!
beijo!
Sendo nós prisioneiros do tempo,para o poeta ele é um jogo dentro do espaço da sua imaginação.
Uma das poesias mais belas de divagação temporal!
Beijinhos, Lidia
Muito bom!
Beijo amigo
.
Este foi um dos melhores
blogs que eu já visitei.
Parabéns e um beijo.
Ah, estou te seguindo, tá?
.
o tempo de ser
perdura na palavra
beijo
" Não há quem seja verdadeiramente prisioneiro"...
Adorei este espaço. Vou seguir.
Abraço
"por uma fenda do tempo, escapamo-nos..."
e por ela fecundamos os sonhos e a vida...
belíssimo
beijo
Belo
neste país
cercado
sem fronteiras
Maravilhoso, sempre Lidia!
Esta garra e esta força de ser livre, de ser vida ha-de um dia rebentar todas as correntes "inventadas", porque a liberdade interior e´ superior a todos os medos, a todas as barreiras.
Beijos
Branca
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