sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Bordado



do outro lado do vidro
a luz veio incandescer
uma exclamação 

de bonança.

julguei até ver-te passar
pela manhã
tão nítido era
o ar que a tingia. 


só depois reparei
que, no regaço, já não tinha 
o linho, as linhas, o bastidor
com que bordava ao serão

passarinhos, sonhos verdes
e breves raminhos de flores.






 imagem: Adam Patrick

5 comentários:

Graça Sampaio disse...

Oh como eu gostava de saber bordar assim...

Rogério G.V. Pereira disse...

Não sei o que é mais belo
se o bordado
se o verso

Dilmar Gomes disse...

Lindo teu poema, Lídia. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas um lindo fim de semana.

Mar Arável disse...

Que nunca te faltem as linhas

Vou continuar a passar
Bj

Graça Pires disse...

O ar nítido da manhã a decifrar os gestos e a tecer os versos...
Um beijo, minha Amiga.