segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

do outro lado da noite




regressam sempre os navios
e trazem o degredo das ilhas,
as distâncias embrumadas,
o silêncio corroído,
a pender dos mastros.

a que temporais terão sobrevivido
suas velas rasgadas
suas proas de desassossego?

viro-me para o outro lado da noite
e avisto a terra ensolarada dos sonhos.
escolho então um janeiro só para mim
e dou-lhe a lua mais cheia que
sou capaz de criar.

escrevo numa folha de papel com afinco
como se na pele das horas escrevesse
mas…dói-me o ombro e sou indefesa na dor
e por ela forçada a regressar ao ponto de partida.

sem que uma só haste do sono me seja
salvação.

  imagem:Dewitt Deborah


2 comentários:

Maria Rodrigues disse...

Como as noites são por vezes tão difíceis de passar.
Nostálgico e belo.
Beijinhos
Maria

Mar Arável disse...

Um poema com dois lados

Belo poeta