regressam sempre os navios
e trazem o degredo das ilhas,
as distâncias embrumadas,
o silêncio corroído,
a pender dos mastros.
a que temporais terão sobrevivido
suas velas rasgadas
suas proas de desassossego?
viro-me para o outro lado da noite
e avisto a terra ensolarada dos sonhos.
escolho então um janeiro só para mim
e dou-lhe a lua mais cheia que
sou capaz de criar.
escrevo numa folha de papel com afinco
como se na pele das horas escrevesse
mas…dói-me o ombro e sou indefesa na dor
e por ela forçada a regressar ao ponto de partida.
sem que uma só haste do sono me seja
salvação.
imagem:Dewitt Deborah

2 comentários:
Como as noites são por vezes tão difíceis de passar.
Nostálgico e belo.
Beijinhos
Maria
Um poema com dois lados
Belo poeta
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