quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Entorpecimento



não se pode levar à boca
esta luz dolente
entornada na manhã
por mãos torpes de janeiro.

não a bebas. fecha os olhos.
é triste
mesmo quando não chora.

espera até que uma andorinha
ou um poema atravesse o quintal
e deixe cair cintilações acesas,
sílabas ardentes...

por enquanto não digas frio nem cardo
nem musgo nem pedra nem sombra.
não digas!

deixa que a palavra seja apenas
o refúgio sigiloso do sol que há de ser.



imagem: Joan Margarit

3 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

se pedes
não direi

e deixo que a palavra seja
apenas
o que em teus versos se deseja

não tardarão as andorinhas...

Maria Eu disse...

Guarda a palavra para fazer luz!

Beijos, Lídia. :)

AC disse...

É por aí, é por aí...
(E esse jeito tão próprio de dizer as coisas...)

Um beijinho :)